Agricultura Familiar depende de investimento em agroindústrias e em tecnologia, avalia Osmar Dias


18/04/2018

“Temos que dar muito apoio ao agricultor familiar e acabar com esse negócio de uma propriedade ser adquirida pelo vizinho, pelo outro vizinho, se transformar em grandes propriedades. Porque se a gente não cuidar desse modelo, corremos o risco de concentrar mais gente na busca pelo emprego frenético nas cidades e, muitas vezes, sem a qualificação necessária. Eles sabem é produzir alimentos e é lá que eles têm que ficar”, defendeu Osmar Dias.

O ex-senador também foi vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas no Banco do Brasil, entre abril de 2011 e julho de 2016, e diz se orgulhare de ter proporcionado um aumento de investimento na Agricultura Familiar de R$ 10 bilhões para R$ 40 bilhões.

Dias argumenta que existem estudos que mostram que uma família vivendo no campo custa para o governo um valor anual de aproximadamente U$ 2,5 mil a menos do que se vivesse na cidade.

“Porque na cidade essa família vai precisar de mais infraestrutura, de esgoto, de saneamento, e lá no campo ela está vivendo de uma forma saudável sem exigir esses investimentos”, pondera ao argumentar ainda a questão da segurança alimentar, uma vez que o setor é responsável por 70% do que vai à mesa dos brasileiros.

O investimento em tecnologia para garantir a permanência do jovem no campo também é uma defesa de Osmar Dias. “O poder público tem que levar ao agricultor familiar os mesmos benefícios que tem um morador da cidade. Ele tem que ter a internet, a escola rural tem que ter internet, tem que ter informatização para que os estudantes que vivem no meio rural possam se preparar para o futuro e ver a viabilidade daquela propriedade”, ressaltou.

Incentivos fiscais

Outro ponto destacado em sua palestra foi a política de incentivos fiscais. Dias defende a priorização do benefício para micros, pequenas e médias empresas, uma vez que, na sua avaliação, as grandes empresas optam por concentrar as atividades nas grandes cidades em detrimento dos pequenos e médios municípios, que também precisam atrair indústrias. “Acho que o grande salto que a agricultura pode dar neste momento é a industrialização, mas para isso a gente precisa tornar igual esse programa de incentivo”, ponderou.

“O que aconteceu por exemplo com a Ambev, o incentivo que foi dado tem praticamente o mesmo valor nos oito anos que ela vai deixar de pagar impostos, do investimento que ela fez, ou seja, a Ambev praticamente ganhou do Estado uma fábrica. E nós não temos as mesmas atitudes nem com as pequenas e nem com as médias empresas”, exemplificou.

“E não é fazendo uma reforma fiscal, aumentando a tributação que nós vamos aumentar a arrecadação. Eu creio muito que é possível fazer uma ampliação da base para que cobrando menos imposto a gente tenha uma arrecadação maior”, acrescentou.

Compensação ambiental

Entre outros assuntos discutidos nas reuniões em Pitanga, merece destaque o tema compensação ambiental. O pré-candidato avalia que há um risco de, ao compensar muito um município, torná-lo improdutivo. Então, acho que tem que ter uma compensação através dos royalties ecológico. Produtores que tiverem uma preservação maior, devem ter um incentivo através do crédito, através dos royalties que deve ser colocado à disposição do município que tiver essas áreas preservadas”.

O deputado Assis do Couto, que acompanhou toda a agenda de Osmar Dias, afirmou que o ex-senador está andando nos municípios, conversando com as pessoas e elaborando, a partir da realidade dos municípios, um projeto de desenvolvimento para o estado do Paraná.

“Não adianta ficar fazendo negociatas. As alianças vão acontecer na sequência, mas o que o Osmar está fazendo é algo diferente e que precisa ser feito na política: ouvir as pessoas, ouvir os seguimentos organizados, o setor produtivo, a educação, a saúde, enfim, para formular o melhor projeto de desenvolvimento para o Paraná como pré-candidato e depois apresentar isso para a população do paraná”.