A vida de Mário Juruna será contada em filme

  A trajetória do cacique xavante Mário Juruna, o único indígena a ocupar uma cadeira no parlamento brasileiro, será contada no filme “Juruna, o Espírito da Floresta” – documentário produzido e dirigido pelo cineasta brasiliense Armando Lacerda (foto ao lado), que tem como base a biografia apresentada pelo filho do cacique, Diogo Amhó. O documentário busca resgatar para as novas gerações a história do deputado e levantar as diferenças que separam e estigmatizam os povos indígenas brasileiros. Mais ainda, o filme propicia uma reflexão sobre a conjuntura político-social brasileira da metade do século XX até o presente momento. 

Juruna foi eleito pelo PDT do Rio de Janeiro na campanha de Brizola de 1982, quando na sua primeira eleição após o exílio, Brizola priorizou na campanha eleitoral as questões dos negros e dos indígenas, bandeiras do PDT – o primeiro partido politico brasileiro a incluir no seu programa essas duas questões.

A narrativa abrange, baseada em expressivo material de som e imagem registrados no Congresso Nacional, universidades e instituições indígenas, informações sobre a organização social e política do povo Xavante, os elementos de sua cosmologia, até a sonoridade da língua Jê.


O filme realizado com baixo orçamento, entrará no circuito de salas comerciais e no de filmes culturais. No próximo dia 12 será exibido para o público de Brasília

Mário Juruna – Filho do cacique Xavante Apoenã, nasceu na aldeia próxima a Barra do Garças (MT) em 1942. Seis anos depois, sua tribo foi contatada pela primeira vez, pela expedição do sertanista Chico Meirelles. Após viajar por boa parte do Brasil, na década de 70, passou a percorrer os gabinetes da Funai em Brasília, lutando pela demarcação xavante. Foi então que se tornou famoso: jamais era visto sem seu gravador, “para registrar tudo o que o branco diz”. 

Juruna foi eleito deputado federal pelo PDT (1983-1987). Sua presença no Congresso Nacional teve uma repercussão enorme no país e no mundo. Ele foi responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio, uma das poucas comissões da Câmara Federal, o que significou a elevação do problema indígena ao reconhecimento formal. Ao final do mandato, não foi reeleito e passou a ter muitas dificuldades para viver. Brizola sempre o ajudou, mas Juruna morreu na pobreza em 18 de julho de 2002 devido a complicações  decorrentes do diabetes que adquiriu.

Veja a entrevista com o diretor Armando Lacerda