A invasão do Brasil

Laerte Braga

O almirante português Pedro Álvares Cabral partiu de Lisboa no dia nove
março de 1500 com treze embarcações, a maior das armadas portuguesas à época e em tese com destino às Índias. A História, implacável em seu processo, mostra que os portugueses, como de resto os europeus, tinham conhecimento da existência de terras à leste da linha do Tratado de Tordesilhas.

Como no mundo em que vivemos o Tratado de Tordesilhas definia que terra era
de quem, mesmo que não fosse conhecida, ou tivesse sido descoberta, ou a ela
se tivesse chegado. Hoje, qualquer reserva de petróleo, água, ou minerais
estratégicos é da democracia cristã e ocidental dos Estados Unidos em nome
da paz.

O conhecimento em si, de terras a leste da linha do Tratado, não significa
necessariamente que essas terras pudessem ou não de fato existir, mas apenas
reservados os direitos sobre a “sombra” das grandes potências do século XVI.

Millôr Fernandes afirma que o primeiro a cercar a sombra de uma árvore, foi
também o inventor da propriedade privada.

A última grande armada que se tem notícia na América como um todo e na
América do Sul especificamente, foi a do Reino Unido para garantir a
“propriedade” das Ilhas Malvinas, parte do território argentino ocupado
pelos britânicos. Em 1982 o general Leopoldo Galtieri, sem sustentação
popular e após um golpe dentro do golpe (sai ditador entra ditador) tentou
segurar-se no patriotismo inconseqüente de uma guerra para a qual não estava
preparado. Aproveitou-se do sentimento popular de revolta contra a ocupação
de parte do território argentino, mandou tropas despreparadas às Malvinas,
mero golpe de publicidade de general de carreirinha (temos aos montes aqui)
e acabou levando o regime ditatorial ao seu fim. Entregou aos argentinos uma
conta de vidas e dores sem tamanho, frustrando esperanças e direitos
legítimos, já que na prática, sabia que não seria possível sustentar a posse
das Ilhas Malvinas.

O Brasil era governado pelo ditador João Batista Figueiredo. No dilema ou dá
ou desce, Reagan – então presidente dos EUA – apoiava a Grã Bretanha e
sustentava a ditadura no Brasil (eram os principais acionistas dos governos
militares), silenciou sobre o assunto, mas permitiu que navios e aviões
ingleses se reabastecessem em território brasileiro. Uma típica covardia
típica de ditadores e generais de fancaria.

As invasões hoje se dão de forma diversa em se tratando de América Latina.
Compram presidentes, compram senadores, deputados, governadores, associam-se
a empresários e assumem o controle dos negócios, disfarçam a ocupação
militar com bases destinadas ao combate às drogas, mas se apóiam no
traficante governando a Colômbia – Álvaro Uribe – e chamam tudo isso de
mundo globalizado, que, via de regra, materializam através de tratados de
livre comércio (com isso tomam conta da economia e da política do país, caso
do México, mera colônia), o fim, segundo eles, é a paz, a democracia, o
progresso, não importa que a fome esteja devastando a África ou que o velho
método de invasão seja aplicado no Iraque, no Afeganistão.

O golpe principal, no entanto, numa realidade diferente, estamos no século
XXI, em breve não haverá necessidade de cultivar rosas, japoneses já
produzem com tecnologia de ponta rosas idênticas às naturais, até no
perfume, é o controle da mídia, os chamados veículos de comunicação.

A nação, qualquer nação, é formada pelo território, o povo, os costumes, a
tradição, a língua, a cultura e se organiza assim através do Estado. A
palavra de ordem contemporânea é “estado mínimo”, já que o deus dos tempos
atuais é o mercado. Onipotente, onipresente, onilucrativo, onibárbaro,
oninuclear. “Eu posso ter a bomba e posso destruir o mundo cem vezes, mas
em nome da paz você não”

Quem quer que divirja desse modelo, dessa verdade única, recebe o rótulo de
terrorista.

Torturam, matam, saqueiam a torto e a direito em todo o mundo. Matam
palestinos, afegãos, iraquianos, colombianos, paquistaneses, matam africanos
de fome, rotulam-nos a todos de “piratas”, “terroristas”.

É através dos meios de comunicação que substituem os costumes, as tradições,
a língua e a cultura de um povo, por seus costumes, suas tradições, sua
língua e sua cultura, numa invasão aparentemente indolor, recheada do brilho
de neons e estrelas. Ao final, o ser brasileiro vira um objeto manipulado e
conduzido segundo as vontades desejadas pelos conquistadores.

É todo um complexo que transforma, por exemplo, a maior potência do mundo,
os EUA, numa sociedade anônima, controlada por grupos sionistas, os senhores
do petróleo, dos grandes negócios, das armas.

Se Obama é um presidente aparentemente negro, que possa pensar aqui ou ali
de maneira diversa da de Bush, não importa. Não vai longe e nem consegue
enfrentar a assembléia geral de acionistas do império. Se antes eram os
barões, condes, marqueses, duques e viscondes que controlavam os reis, hoje
são os barões do petróleo, das armas, dos bancos, etc.

Se alguém pegar o mapa da América do Sul e tampar o Brasil com uma das mãos
vai perceber que, territorialmente, o que sobra é quase nada diante do
tamanho de nosso País. Quem quer que se detenha a dar uma olhada no Brasil e
em seu todo, vai, de imediato, sentir que existe nos milhões de quilômetros
quadrados de nosso território, todo o potencial para que sejamos não apenas
uma grande potência em todos os sentidos, mas uma nação onde impere a
democracia lato senso, a justiça social e possamos nos impor ao mundo sem
necessidade de nenhum ministro tirar os sapatos e descalço submeter-se a
humilhante revista no aeroporto de New York, como o fez Celso Láfer,
ministro das Relações Exteriores do governo de FHC.

Em 1962, conscientes que os brasileiros começavam a buscar seus próprios
caminhos à revelia de seus interesses, os norte-americanos (entendidos aqui
como bancos, empresas, sionistas, os acionistas) compraram empresários (o
grupo FIESP/DASLU por exemplo, sempre pronto a bom um negócio), políticos
(Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, outros menores) e criaram um negócio
chamado IBAD – INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA –.

Financiaram revistas, jornais, campanhas eleitorais, associações de “defesa
da democracia”, compraram militares comprometidos com a ideologia dominante,
a dos EUA, mas acabaram perdendo no todo e resolveram partir para a solução
seguinte. O golpe militar, aconteceu em 1964 e foi comandando por um general
deles, Vernon Walthers (ficou aqui até “eleger” Castello Branco presidente
da República).

Começou ali também a ofensiva sobre os meios de comunicação. Se já
controlavam veículos como o jornal O GLOBO e o ESTADO DE SÃO PAULO
(ostensivamente), começava também a história da poderosa REDE GLOBO
(financiada por capitais do antigo grupo TIME/LIFE), viria mais tarde o
grupo ABRIL (edita VEJA) e grossas verbas disfarçadas de publicidade para
jornais como a FOLHA DE SÃO PAULO (a que chama a ditadura de ditabranda, mas
emprestava seus caminhões para a desova dos cadáveres dos presos políticos
torturados e assassinados no DOI/CODI em São Paulo).

Daí a introduzir o haloween como elemento da cultura brasileira no dia a dia
de nossas escolas de ensino básico foi um pulo. Chegar ao estágio do tira
manchas que é inteligente e evita que o seu filho vá à escola com a camisa
manchada, foi outro pulo.

Fazer com que se pense como eles pensam, isso é o dia a dia da mentira
veiculada pela televisão, pelos jornais, pelas revistas.

Mas, como diz a antiga canção – antiga, mas sempre presente – do
“subdesenvolvido”, “você pensa como americano, mas não vive como americano”.

Manter governadores, senadores, deputados, militares, empresários sob
controle é o de menos. O governo de FHC abriu as portas para a transformação
do Brasil num estado da federação norte-americana e a ALCA – ASSOCIAÇÃO DE
LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – só não foi assinado por conta da resistência
popular e dos compromissos assumidos pelo atual governo, o do presidente
Lula.

Funciona mais ou menos assim. Se eles fabricam chicletes, você tem que
comprar deles, não pode fabricar. Pode sim, vender a matéria prima a preço
vil.

Se o lixo hospitalar e nuclear deles não pode ser despejado em seu próprio
território, sob as penas do tratado de livre comércio, previstas em
capítulos próprios, você tem que aceitá-lo em seu território, que o diga o
México.

A grande mídia cumpre dois papéis. William Bonner, um dos principais agentes
dos EUA no Brasil e atuando na GLOBO, definiu a você como sendo um
telespectador idiota, um Homer Simpson (por ironia uma excelente séria
norte-americana que mostra exatamente a passividade do povo diante dessa
situação) e nem fez questão de esconder isso de ninguém, veicula,
diariamente, a mentira da “verdade” única e imposta, num espaço entre
novelas e outras coisas mais, que fazem com que cada um creia que o
essencial é o sucesso e que sucesso é sinônimo de ser brother, ou sister e
que é fundamental amar-se a si próprio acima de todas as coisas. O outro é
apenas alguém que circunstancialmente está ali, mas pode ser empurrado
ladeira abaixo se virar problema, ou for obstáculo.

Nada pessoal, pessoas estão fadadas a serem extintas, tudo são negócios.

E como o modelo vendido implica que tudo seja assim, é necessário estar
sempre com portas e janelas trancadas. A rasteira, o empurrão pode vir do
outro.

Mentira e farsa são essenciais à mídia para fazer com que cada brasileiro
pense em inglês, se veja em Hollywood, ou passeando e fazendo compras em New
York, num dos hotéis recheados de pin ups de Las Vegas, não importa que
esteja ralando doze horas por dia num emprego mal remunerado (professor por
exemplo) e ainda em caso de reclamação seja enquadrado a cassetadas pela
Polícia deles.

Dessa espécie de centro de uma organização que invade mais que o território,
invade e corrompe almas e espíritos, consciências, saem irradiadas milhares
de seitas a dizer que é preciso dar dez por cento para construir casas no
céu e resignar-se à “realidade” daqui, saem deputados, senadores, saem
governadores, empresas que fraudam, sonegam, vendem produtos de péssima
qualidade, bancos que extorquem, todo o conjunto de máfias contemporâneas
que, em relação às máfias originais, apenas varreu compromissos de honra
mínimos que ali existiam.

Você é objeto. Joguete de uma mídia mentirosa, venal, corrupta e de
jornalistas ávidos de um a mais para o “leite das crianças” (Miriam Leitão,
Alexandre Garcia –dedo duro durante a ditadura –. Lúcia Hipólito e outros
menores ou mesmo maiores, jornais como FOLHA DE SÃO PAULO, revistas como
VEJA, jornais regionais como o ESTADO DE MINAS, ou redes regionais como a
RBS (sul do País).

São financiados pelos seu dinheiro, pelo dinheiro público, caso do contrato
do governo de São Paulo (José Collor Arruda Serra) com a editora ABRIL
(VEJA), ou o escandaloso caso da venda do apoio da GLOBO a Serra nas
eleições de 2002 envolvendo Roseana Sarney (usada como isca pela GLOBO), O
BNDES, resultando na emenda que abriu as portas para o capital estrangeiro
em rádios e tevês do Brasil e tirando a empresa de um estado pré-falimentar.

Nada é de graça nesse tipo de negócio. Há toda uma teia que tem um único
objetivo. O controle da jóia da coroa latino-americana, o Brasil.

Um grupo de professores do estado do Pará advertiu o governo estadual que a
descoberta de um reservatório subterrâneo de água doce por cientistas
brasileiros era o produto do esforço de brasileiros, pois norte-americanos
já o conheciam através de recursos tecnológicos através de satélites há anos
e se omitiam sobre o assunto, à medida que o propósito é o controle não só
da água, mas do petróleo, do País. Têm a defendê-los o patriotismo do
general Heleno. A ocupar o território brasileiro a VALE privatizada.

Para isso vendem seu modo de pensar (aquele que mata à porta das escolas,
que é racista, que se sustenta na barbárie da guerra e dos campos de
concentração como Guantánamo) através de agências chamadas empresas como a
GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, e outros, muitos outros.

Associa-se ao latifúndio que depreda a Amazônia (e culpa os índios), serve
porcaria nos transgênicos, coopta militares como o fizeram com o general
Heleno e muitos outros – a maioria – para eventuais golpes, faz com que cada
um de nós se volte para uma Meca doentia, Washington/Wall Street e acredite
que sucesso é sair por aí exibindo os escalpos conquistados na caminhada.

Com o fim da ditadura militar tentaram com Collor e conseguiram boa parte de
seus objetivos com FHC, funcionário de uma fundação norte-americana a FORD.
Sem nenhum escrúpulo, caráter, ou respeito por quem quer que seja, muito
menos pelo Brasil e pelos brasileiros.

A eleição de Lula, por críticas que possa fazer ao governo de Lula,
interrompeu o avanço, a invasão, mas não o processo de dominação. Estão aí
os mesmos veículos vendendo um marginal como José Collor Arruda Serra,
político sem qualquer dignidade, sem princípios e sem honra nenhuma para
completar a tarefa.

Como há dias o Instituto Sensus, que pesquisa para sindicatos de
trabalhadores e de patrões, divulgou pesquisa mostrando empate técnico entre
a candidata Dilma Roussef e o marginal José Collor Arruda Serra, o DATA
FOLHA, instituto de pesquisas da FOLHA DE SÃO PAULO, tratou de forjar uma
pesquisa onde Serra aparece como vencedor e um jornalista do esquema,
Fernando Rodrigues, como quem não quer nada, trata de “adiantar” em sua
coluna que o bandido pode vencer já no primeiro turno.

Em 1985 a lei proibia a divulgação de pesquisas três ou cinco dias antes das
eleições para evitar manipulações. A última pesquisa dos institutos ditos
sérios dava a vitória nas eleições para a prefeitura de São Paulo ao
criminoso Fernando Henrique Cardoso. Seu principal adversário era Jânio
Quadros. Um especialista em pesquisas previu a vitória de Jânio e disse o
seguinte – “me digam onde pesquisaram e encontraram a vitória de Fernando
Henrique que eu vou pesquiso e trago a vitória de Jânio” – Manipulação pura,
deliberada, covarde e muito bem remunerada. São bandidos e Jânio ganhou de
FHC.

Daqui até outubro, os brasileiros terão tempo para pensar se querem
permanecer brasileiros, senhores do Brasil, ou se vão cair de quatro
definitivamente e passar à condição de colonos dos norte-americanos.

Não contem com nossas elites, são podres, são pútridas, fétidas e se vendem
por um fim de semana na Ilha de Caras. Tipo trocar um pirulito pela honra,
pela dignidade pessoal.

Não se invade com esquadras como a de Cabral, mas com redes de tevê,
jornais, rádios e revistas que consideram garis (como o fez Boris Casoy) “a
última categoria na escala de trabalho”. Ou seja, o preconceito em muitos
momentos se torna visível.

Se deixa enganar quem quer ser enganado, ou quem se acostumou a ficar de
quatro.

No duro mesmo, eu proporia uma sessão diária em três turnos, dos filmes de
Oscarito e Grande Otelo, em cada escola. Seria uma forma do brasileiro
começar a acordar e perceber que existe vida inteligente para além de Jerry
Lewis, ou desses comediantes de quinta categoria de Hollywood e que Bruce
Willys não é nem a sombra do que era José Legoy, o nosso grande vilão
cinematográfico. Dá de dez a zero em qualquer agente da CIA desses que
explodem meio mundo e no fim ficam com a mocinha.

O diretor de AVATAR dizer que vai levar a questão de Belo Monte (sem entrar
no mérito) para discutir com senadores americanos? Ora, manda esse cara
pastar. Mas antes olha se o general Heleno não está ao lado dele. É bem
capaz, junto com o presidente da VALE e a senadora Kátia Abreu, especialista
em fraudes com terras na região.