A contemporaneidade Brizolista

Henrique Matthiesen

Fruto de uma polarização que vivenciamos nos últimos anos, o Brasil vive uma profunda crise política, institucional, representativa e ética.

Tanto PT como PSDB são responsáveis diretos e insofismáveis deste momento. Um por reencarnar de forma vergonhosa a pior face da velha UDN golpista, reacionária e retrograda, outro por se portar de forma arrogante, refratária e vacilante.

Diferentemente do que o monopólio midiático propaga, existe vida inteligente, histórica e coerente fora desta polarização que serve aos preceitos manipuladores destes barões do Brasil.

O Trabalhismo que vem da Era Vargas, passando por Jango e por Brizola, tem seus herdeiros legítimos que dão continuidade às verdadeiras lutas dos oprimidos e marginalizados.

Nem todos são satélites, nem todos são fantoches, nem todos são reféns deste jogo apequenado dos que não têm projeto e envergadura para conduzir o desenvolvimento econômico, social, acima das quirelas palacianas.

O Trabalhismo defende como ninguém a Soberania Nacional.

Existe uma abismal diferença entre essas correntes de pensamento político, ou seja, o Lulapetismo jamais terá, por ignorância, presunção, ou medo, a bojo político dos líderes trabalhistas, em especial, do Brizola.

Aliás, há um sentimento denso, um grito sufocado, uma indignação entre os Brizolistas frente às incompreensões e atos do petismo frente ao trabalhismo.

Criado nas comunidades de base do clássico catolicismo, arquitetonicamente edificado no ideário de Golbery, eficientemente capaz de dividir a esquerda, docilmente acéfalo histórico, o PT jamais entendeu ou não quis aceitar o Trabalhismo.

A história do Brasil e das “esquerdas” brasileiras são questionáveis desta disputa e de suas baixezas e grandiosidades.

O PT foi um dos grandes opositores do governo do Brizola no Rio de Janeiro, combatia sobretudo o que há de mais moderno e revolucionário na questão educacional no Brasil, os CIESP ou “Brizolões” como eram conhecidos os sistemas educacionais do governo trabalhista, foram objeto de desconstrução por parte do PT.

Entretanto, o velho caudilho, mostrou que os interesses do povo Brasileiro estão acima da pequenez e mesquinharia. Brizola apoiou de forma contundente Lula no 2º turno nas eleições de 1989, o que possibilitou a perspectiva de vitória do mesmo frente a Collor.

O PT jamais reconheceu esse feito.

Mas, o Brizola mesmo sofrendo ataques do PT depois de 1989, teve a grandeza de, embora tendo um histórico e experiência maior do que Lula, se sujeitou a ser seu vice em 2008.

A resposta do PT foi de uma singularidade cafajeste imensurável, teve a audácia que a própria conduta siciliana não tolera, usou a família de Brizola para tentar humilhar o trabalhismo, num episódio que envergonha a esquerda e a hombridade humana.

Com a vitória de Lula em 2002, o então presidente nomeia Ministro das Comunicações o deputado Miro Teixeira, para mais uma vez dividir o trabalhismo. Miro foi Ministro sem o aval do PDT, e cumpriu de forma adomada as incumbências do monopólio midiático. A resposta do trabalhismo foi a sonora vaia ao Lula no funeral do Brizola.

Mas a generosidade e os interesses do povo Brasileiro, fizeram o PDT de Brizola se reaproximar de Lula e do Petismo, assumimos então o Ministério do Trabalho e Emprego.

Sofremos as perseguições de nossos eternos adversários, ou seja, o monopólio midiático, que não aceitava que um ex-jornaleiro chegasse ao Ministério. Foi bombardeado da forma mais covarde que se possa imaginar e o PT não demostrou lealdade. Carlos Lupi saiu do Ministério, e nenhum, absolutamente nenhum, processo contra ele se tem ou se foi aberto. Apenas cortina de fumaça para tirá-lo do Ministério.

A resposta do PT foi tentar criar uma corrente política dentro do trabalhismo para apear os verdadeiros herdeiros de Brizola do comando político do PDT, mais uma postura ordinária.

Obviamente o PT que já tentara antes dividir os trabalhistas não logrou êxito, e o Brizolismo mostrou sua maturidade e competência na sua coerência histórica.

Cômico se não fosse trágico, e a história como observadora implacável dos atos contemporâneos, e a passagem do Dr. Manoel Dias pelo Ministério do Trabalho, ganhador do prêmio da CGU por transparência frente ao MTE único Ministro que ousava falar em socialismo em toda Esplanada, não teve condições de implantar políticas públicas mais efetivas devido ao sufocamento orçamentário feito pelo PT no Ministério. Saiu com sua costumeira dignidade.

Mesmo com esses pressupostos históricos do PT frente ao Trabalhismo não nos furtamos e nem desleais fomos.

Hoje, o trabalhismo mesmo tendo candidatura própria à presidência, está na luta pela Legalidade, pela democracia.

Compreendemos que nossa genética histórica não nos permite nos furtarmos de nossos compromissos com a sociedade brasileira.

Entretanto, não aceitamos o rótulo estigmatizado que somos iguais, frutos da mesma raiz de pensamento ideológico.

Se o PT advertisse na trajetória trabalhista não estaria caindo de forma burlesca de joelhos, mas teria a altivez necessária para a resistência.

Esse é o grito entalado, dos que mesmo nas praças, e ruas deste país lutando pela democracia, não se deixam enganar e compreendem seu papel histórico.

Esse é um desabafo de um Brizolista.

Não ao golpe! Dilma é honesta, mas o PT não foi, não é leal aos que sempre os deram a mão.

Não corromperemos a história, Brizola estaria na rua pela sociedade brasileira e pela democracia porque tinha a grandeza peculiar de um Estadista.