PDT-RS discute o Brasil em seu IV Congresso estadual

    

 

(Ascom PDT, com Francis Maia e jornais)

 

Ao abrir o IV Congresso estadual do PDT gaúcho o presidente nacional do partido e ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reafirmou o compromisso histórico do PDT com a construção de um projeto nacional e pediu o empenho dos trabalhistas na defesa do legado político de Getúlio Vargas. O presidente do PDT-RS, Matheus Schmidt, também na abertura do evento, fez análise da crise política que o Brasil atravessa e disse que os partidos, mesmo enfraquecidos, precisam reagir a ela.

 

O encontro estadual sob o tema “O Trabalhismo na Atualidade”, preparatório ao Congresso Nacional que o PDT realizará ano que vem, foi aberto na sexta-feira 31/8 e prosseguiu no final de semana no teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa gaúcha. Os seus participantes discutiram caminhos quanto às alianças nas eleições municipais de 2008 e debate sobre a linha programática histórica do PDT. Também discutiram as conjunturas local, regional e nacional – além de políticas de educação, segurança e meio ambiente.

 

Lupi, em sua fala, reafirmou os compromissos do PDT com o Brasil a partir do legado político de  Vargas, especialmente os direitos trabalhistas. Assegurou que o presidente Lula está empenhado em melhorar a vida dos trabalhadores brasileiros, mas avisou que é missão dos trabalhistas “lutar pela defesa dos direitos e ampliá-los”. Lupi assinalou que o PDT sempre viveu grandes desafios ao longo de sua existência, mas nunca deixou de lutar pela soberania do Brasil. “Vargas deu um tiro no peito para impedir o golpe; Brizola foi impedido de chegar à presidência – mas nós temos o desafio de continuar a mostrar aos brasileiros que lutamos pela verdadeira independência”.

 

Ao manifestar seu compromisso com o Ministério do Trabalho, mesma pasta que João Goulart ocupou em 1953, Lupi destacou que trabalha com empenho focando na qualificação da mão de obra a possibilidade de melhorar as taxas de emprego. Em 2006, explicou, 890 mil vagas deixaram de ser preenchidas porque trabalhadores não tinham qualificação para ocupá-las, assinalou. Para este objetivo, garantiu, Lula é parceiro e está aumentando as verbas de qualificação de mão-de-obra.

 

O presidente regional do PDT, Matheus Schmidt, fez análise conjuntural em seu pronunciamento na abertura do IV Congresso para justificar os debates que o partido fez nos três dias que duraram o evento. “Vivemos hoje uma profunda crise política que atinge seriamente todos os partidos”, disse o militante que viveu os rigores da ditadura militar.

 

Crítico do neoliberalismo, a quem atribui a responsabilidade pela crise,
Schmidt pediu aos militantes partidários que retomem as suas ideologias e a força de suas agremiações políticas. “Não há como enfrentar essa crise com partidos dóceis”, afirmou o ex-deputado, criticando o modelo econômico e a fidelidade dos políticos ao empresariado, deixando de lado seus partidos. “É preciso reforçar a ideologia em nossos partidos”, advertiu, explicando que os organismos internacionais – tanto de esquerda e quanto de direita – conservam suas linhas básicas de pensamento.

 

Foi para retomar essa discussão com profundidade, que ajudou a organizar o IV Congresso. “Vamos mergulhar na nossa ideologia e na nossa doutrina”, apontou. Depois da abertura na sexta, no sábado, os pedetistas ouviram palestra do vice-reitor do UFRGS, Pedro César Fonseca, sobre o pensamento econômico de Getúlio Vargas. Outros temas, como alianças eleitorais, segurança pública e meio ambiente também entraram na discussão, organizada por três comissões temáticas.

 

O IV Congresso visa o debate dos valores que orientam o partido fundado por Brizola que, por sua vez, inspirou-se no Trabalhismo fundado em 1945 por Getúlio Vargas. Ele se propôs a analisar documentos básicos da sigla como a “Carta Testamento” de Getúlio, a Carta de Lisboa (17/6/79), o Manifesto do PDT (26/5/80), a Carta de Mendes (28/1/83), os Estatutos (27/8/99) e a Carta de São Paulo (5/6/2004).

 

O congresso foi antecedido de sete reuniões regionais e os documentos finais serão encaminhados ao congresso nacional que o PDT realiza em 2008. Ainda no sábado (1/9), houve uma palestra do ex-governador Alceu Collares sobre ética na política. Paralelamente aos painéis, foram instaladas as comissões temáticas.

 

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PPS), um dos oradores da abertura, juntamente com Lupi e Schmidt, agradeceu a participação do PDT no governo municipal – o partido ocupa as secretarias de Planejamento, Juventude e Esporte e Lazer; além do apoio na Câmara Municipal. Fogaça elogiou “a vigorosa vertente trabalhista que o PDT representa” e que ele vê em suas andanças por Porto Alegre, especialmente na presença de filhos e netos de trabalhistas nas vilas, bairros, associações de classe e sindicatos.

 

Fogaça também elogiou “o equilíbrio político” de Matheus Schmidt e agradeceu o apoio recebido do presidente do Diretório Metropolitano de Porto Alegre do PDT, Alexandre Rambo. Lembrou ainda, ao final, que as associações populares de Porto Alegre começaram na década de 50, com Leonel Brizola. Representando o presidente estadual do PT, Olívio Dutra, o deputado Daniel Bordignon disse que a história do trabalhismo e de Getúlio Vargas “resumem a história do Rio Grande do Sul”. Pelo PC do B, Adalberto Frasson reforçou a necessidade de avançar “na construção de um projeto nacional”.



PDT recomenda candidatura própria em Porto Alegre Pedetistas

decidem em congresso dar prioridade a alianças com legendas de esquerda no Estado

 

Fabiano Costa (Zero Hora, Porto Alegre/RS) – Em seu primeiro congresso depois da morte do ex-governador Leonel Brizola, o PDT gaúcho recomendou candidatura própria no pleito de 2008, com autonomia para os diretórios municipais – incluindo Porto Alegre – construírem alianças. Os pedetistas darão prioridade aos partidos de esquerda.

 

As resoluções aprovadas por cerca de 500 dirigentes, militantes e políticos no final de semana, durante o 4º Congresso Estadual do partido, no auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa, devem ter desdobramentos na corrida eleitoral para a prefeitura da Capital. Há meses, o PDT vem sendo assediado por diferentes tendências para compor chapas para o pleito municipal.

 

A orientação da legenda foi celebrada pelos defensores de que o PDT lance candidatos próprios na disputa eleitoral do ano que vem. Para o deputado federal Vieira da Cunha, pré-candidato a prefeito de Porto Alegre, a decisão expressou o sentimento majoritário no diretório metropolitano. 

– Sinto uma vontade amplamente majoritária na base do PDT de ter candidato próprio a prefeito na Capital – declarou.

 

Sigla tenta se manter forte sem a presença de Brizola

 

Apesar de o PDT já ter pelo menos outros dois pré-candidatos para o paço, o presidente estadual do partido, Matheus Schmidt, não descarta coligação com o PPS do prefeito José Fogaça, com o PT ou com o bloco de esquerda composto por PSB e PC do B:

– Quase todos os vereadores do PDT na Capital querem a permanência da aliança com Fogaça. A decisão final, vai depender da força deles no congresso municipal do ano que vem.

 

Na sexta-feira, na abertura do congresso, o deputado estadual Daniel Bordignon (PT) tentou reforçar a reconciliação entre petistas e pedetistas, desculpando-se com o PDT por erros cometidos por seu partido no governo Olívio Dutra (1999-2002). Foi a primeira manifestação pública de desculpas do PT sobre o assunto.

 

Para o secretário do Planejamento de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), a tendência é a sigla manter a união com o PPS na cidade. Nesse caso, especula-se que o secretário poderia concorrer como vice de Fogaça.

– Meu nome está à disposição do partido. Estou aberto a qualquer situação – disse Fortunati.

 

O Congresso também serviu para tentar diminuir a dependência do PDT à figura de Brizola.

– Sem a liderança do Brizola, precisamos aprender a decidir coletivamente – ressaltou o ex-governador Alceu Collares