Mais Legalidade:
-
Livro: "Que as armas não falem"
- Palestra de Brizola na FAP - 40 anos
- 40
anos de Legalidade em Porto Alegre
- Site
especial do jornal Zero Hora
- Reportagem do Jornal do Brasil de 20/8/01
-O dia-a-dia da Rebelião
- Discurso de
Brizola
- O povo atende
ao chamamento
- Veto militar a
João Goulart
-Tentaram
bombardear o Piratini
- A batalha no
Parlamento
- Depoimento
pessoal de Leonel Brizola
- Exposição itinerante
Atualidade
Dossiê da crise
Perfil
de Brizola
Governo
FHC
A
família presidencial
A história do PDT |
 |
Campanha da Legalidade
O que foi o movimento popular
que sufocou o golpe no Brasil
Os trabalhistas se mobilizam em todo o país para
celebrar os 40 anos do grande evento que abalou o Brasil entre os dias 26 de agosto e 7 de
setembro de 1961. Veja a seguir os principais lances da
Legalidade

Como tudo começou
A Legalidade foi o maior movimento popular no
Brasil desde a Revolução de 30. A partir das proclamações de Leonel Brizola pela
Rádio Guaíba, de Porto Alegre, o país reagiu ao golpe articulado pelos militares,
juntamente com o poder econômico, para impedir a posse de João Goulart na Presidência
da República, após a renúncia de Jânio Quadros, no dia 25 de agosto de 1961.
A Legalidade teve o apoio de rua em todo o país, apesar do
rígido controle militar sobre os jornais, rádios e TV e da ocupação dos pontos
estratégicos. Foi uma torrente popular que passou por cima dos militares, dos políticos
conservadores, dos empresários, banqueiros, enfim das elites.
A firmeza, o destemor e o descortino de Leonel Brizola no
episódio fez dele líder nacional e retardou a conspiração da direita que viria a
desembocar no golpe de 64, como o suicídio de Vargas, em 1954, abortou o complô iniciado
em 1950 para tornar inviável um governo nacionalista e progressista no país.
O alerta de Brizola, já na madrugada do dia 26 de agosto,
foi o sinal para que as forças democráticas agissem para neutralizar os golpistas. A
coragem que o governador revelou nos momentos mais dramáticos - como a da ameaça de
bombardeio aéreo do Palácio Piratini e na convocação da Brigada Militar para garantir
a lei e a ordem - eletrizou os gaúchos e impressionou os brasileiros.
Com tanques do III Exército a menos de 1 km, Brizola
organizou, praticamente sem dormir, nos dois primeiros dias, a resistência às decisões
dos ministros militares. O poder de fato em Brasília tentou em vão isolar o Rio Grande
do Sul do restante do Brasil e Porto Alegre ficou sob ameaça de ataque do porta-aviões
Minas Gerais e dos jatos da Força Aérea. Mas o apoio da população não falhou um
instante sequer..
À medida que todo o Brasil se solidarizava com o governador
dos gaúchos, foram surgindo as adesões mais importantes, como as dos governadores Mauro
Borges, de Goiás, e Ney Braga, do Paraná. Cem mil pessoas concentraram-se diante do
Palácio Piratini, nas horas em que era esperado o bombardeio, que, afinal, não se
concretizou por que os aviões não puderam levantar vôo (os militares que operavam o
sistema, solidários a Brizola, impediram que fossem cumpridas as ordens dos generais
golpistas).
Dona Neusa, a mulher de Brizola, comoveu a população, ao
recusar-se a deixar o Palácio nos momentos de maior perigo. A intensa movimentação em
torno dos pontos de voluntariado e preparação para emergências não causou um único
acidente. Tampouco houve um tumulto sequer depois da distribuição de dois mil
revólveres a populares que haviam se inscrito para reforçar a defesa do Palácio, por
sinal confiada a velhos mosqueteiros Mauser, meia dúzia de metralhadoras pesadas,
remanescentes dos combates entre as oligarquias gaúchas, na década de 20, e poucas
metralhadoras de mão.
Não era o armamento, quase ridículo - algumas lanças da
Revolução Federalista de 1893 chegaram a ser levadas ao Palácio -, a razão da
confiança de Brizola. Ele tinha o povo consigo e este foi o fator decisivo da vitória da
Legalidade. Vitória, frustrada em parte pelas maquinações políticas que obrigaram
João Goulart a aceitar o parlamentarismo. A direita, porém, não assimilou a lição e
começou a preparar a vingança. Que viria três anos depois com a derrubada de Goulart,
sem possibilidade de resistência.
Ignorado pela grande imprensa, o dia 26 de agosto , data da
Legalidade, faz parte do calendário de lutas do povo brasileiro pelo respeito aos seus
direitos políticos. Nenhum especial no rádio e na televisão, nenhum suplemento de
jornal costuma ser publicado nesse dia. A ordem é passar a esponja no episódio, para que
ele não lembre a figura heróica de Brizola. Mas seu lugar está garantido na História,
que é inapagável
|Início| |Página
de Apresentação| |