JORNAL
DA CBN - 6 de setembro 2002 9.25hs
- POR DENTRO DAS ELEIÇÕES -
Comentário de Lúcia Hipólito (socióloga)
Começa a ficar preocupante o noticiário sobre a apreensão de urnas eletrônicas falsas.
Ontem, a Polícia Federal anunciou a apreensão de 80 carcaças de urnas eletrônicas no
Distrito Federal. Além disto, semana passada mais cinco urnas falsas já tinham sido
encontradas, também no entorno de Brasília, todas usadas para ensinar a votar em José
Serra para presidente e Joaquim Roriz para governador do Distrito Federal.
É
evidente que não se pode acusar os candidatos de conivência com a fraude, mas se isto
está sendo descoberto em Brasília, capital da República, nas barbas da Polícia Federal
e do Tribunal Superior Eleitoral, os ouvintes podem fazer idéia do que pode está se
passando por este Brasil afora. Quanto mais distante o curral eleitoral, mais
episódios como este devem estar ocorrendo. E não há Polícia Federal que dê conta de
tanta urna falsa.
Para
complicar as coisas, o ex-governador Leonel Brizola, ele próprio vítima de uma tentativa
de fraude nas eleições de 82, tem questionado a eficácia da urna eletrônica. Aliás,
é graças a sua pregação já antiga, que nestas eleições de 2002, algumas urnas
eletrônicas em todo o país terão o sistema de recibo, como comprovante do voto, tanto
para o eleitor quanto para uma hipótese de recontagem. A fraude comprovada nas eleições
presidenciais dos Estados Unidos em 2000, acendeu uma luz amarela para os políticos
brasileiros.
Por isto, a pregação de Brizola, que era uma voz isolada, encontrou eco em outros
partidos e o TSE viu-se obrigado a instalar algumas urnas com o sistema de recibo, de
comprovante do voto. Finalmente, o PDT, partido de Brizola, entrou com representação
junto ao TSE solicitando informação sobre o contrato de prestação de serviço com uma
empresa de informática para suporte técnico às urnas eletrônicas. Segundo o PDT, os
serviços foram terceirizados, comprometendo a lisura do pleito. O partido pediu ainda a
relação de todos os técnicos envolvidos na operação eleições 2002.
Mesmo que a gente não queira acreditar numa teoria conspiratória da história, seguro
morreu de velho. Segundo Leonel Brizola, está se criando no país um ambiente
propício à fraude. E como, dos políticos brasileiros, ele é o único que pode falar de
cadeira, porque quase foi garfado nas eleições de 82, talvez fosse bom prestar atenção
ao velho caudilho.