 Veja como seu voto pode ser fraudado
 Requião e Brizola apresentam
modelo de impressão de voto
 Pressão de Brizola leva
TSE a investigar urna eletrônica
Por Sergio Vieira
Brasília
30/07/01 - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nelson Jobim, afirmou
"estar interessado em aprimorar o sistema de votação e apuração durante as
eleições de 2002". Há cerca de 15 dias, o assunto foi tratado pela primeira vez,
no Rio, entre ele e o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola: "Ele veio aqui e
nós tivemos um encontro muito cordial para troca de idéias. Ele prometeu que vai
trabalhar com os Partidos e com a Comissão de Reforma Eleitoral no Congresso", conta
Brizola.
O Presidente do PDT revela que vem recebendo
assessoria técnica do procurador federal aposentado e ex-secretário de Governo Siqueira
Campos, professor de Direito Constitucional da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(Uerj): "Ele tem experiência", assegura, lembrando que Campos foi procurador
junto ao STF e também junto à Justiça. Ele vem colaborando diretamente com os deputados
pedetistas Miro Texeira e Vivaldo Barbosa. Segundo Brizola, este
sentimento de mudança no processo está tomando conta de muita gente, como juristas que
vem participando do Fórum da Urna Eletrônica via Internet: "Todos acompanham esta
caixa misteriosa. Nós, particularmente, temos motivo para desmonstrar nossa
inconfiabilidade. Isso vem desde o escândalo da Proconsult em 83. Somos gatos
escaldados", ressalta.
O presidente do PDT tem uma guerra particular
contra a intervenção da Agência Brasileira de Informações, que substituiu o Serviço
Nacional de Informações (SNI): "Esta Abin tem um órgão especial, o Cepesc, criado
na ditadura e que está oferecendo à Justiça toda sua tecnologia para a segurança do
sistema. Nós achamos que é o mesmo que entregar o galinheiro às raposas", ironiza.
O presidente pedetista deixa claro não desconfiar da Justiça Eleitoral: "Eu temo é
que o sistema venha a ser manipulado por forças estranhas, mesmo porque a Justiça
Eleitoral entende menos do que eu de tecnologia. Eu ainda sou engenheiro mas, mesmo assim,
passo dormindo nessa estória", revela. Brizola conta que já tratou
deste assunto, há uns 3 meses, com o então presidente do TSE, Maurício Corrêa:
"Agora é com o ministro Nelson Jobim, que tem sido cortês", conta, lembrando
que, em sua recente visita a Brasília, assistiu no gabinete do senador Roberto Requião
(PMDB-PR) à apresentação de um sistema de votações que oferece também o voto por
escrito: "A urna eletrônica, como está, não é confiável. Primeiro porque o voto
desaparece e depois porque não permite a recontagem. Se você agregar este complemento
às urnas, como o que eu vi, proporciona o voto escrito. Você vota e uma impressora, ao
lado da urna, imprime. Além disso, a urna é lacrada. Para confirmar a receptividade do
ministro Jobim, basta lembrar que ele aceitou assistir, por nossa recomendação, em seu
gabinete, a demonstração do novo equipamento. O importante é que ele está empenhado em
realizar este trabalho com os partidos e correr contra o tempo", ressalta.
Dúvidas também incluem o modo de
fazer a totalização
O presidente do PDT também tem dúvidas sobre o atual
sistema no que diz respeito à totalização da apuração, atacando de novo a Abin:
"Nós defendemos o completo isolamento da Justiça desse pessoal da Abin. E há
outros detalhes que fazem parte das nossas dúvidas, como a questão de digitar o número
do título para dentro da urna. Achamos que isso não pode. Os exemplos mais contundentes
estão na violação do painel do Senado e na última eleição presidencial nos
EUA", lembra. Há também um fato novo, pois, devido à confusão na apuração das
eleições americanas, os dois institutos mais avançados em informática do mundo
(Caltech e MIT Voting Technology Project, ambos nos EUA) produziram recentemente um
relatório de 95 páginas. O documento recomenda que a eleição eletrônica necessita de
um sistema paralelo para conferir. Brizola propôs ainda ao Presidente do TSE que a
totalização seja estadualizada, e só iriam para Brasília os relatórios e atas das
apurações, "senão há um jorro de milhões de votos errados, que não poderão ser
conferidos, como aconteceu na época do Rezek, aquele do Collor. Mas a verdade é esta:
estamos trabalhando, criando uma consciência coletiva. Aos 79 anos, mas estamos
combatendo o que está errado". Brizola reafirma que vem costurando a aliança Itamar
Franco-Ciro Gomes: "É o que o povo quer. O PT está com esta mania, achando que
ganha. Não ganha. É um filme que nós já vimos. Ficam aí votando no Lula. Nós vamos
chegar no outro século e ele não ganhará", observa. |