Urnas e
resultados abertos à fraude
Veja
como seu voto pode ser fraudado
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(21.10.01 -
Publicado em "O Dia" e "O Globo") - "As
recentes declarações do atual Presidente do TSE representaram um divisor de águas para
todas as pessoas preocupadas com a lisura e a transparência do processo eleitoral. Foram
afirmações extremamente graves, vindas de alguém em cuja idoneidade precisamos todos
confiar. Mas ficou claro que há uma grande ameaça pesando sobre o povo brasileiro. A
tão festejada informatização das eleições abre o perigo da fraude nas urnas e na
totailização dos votos.
Vejam. De um lado deste divisor, colocam-se
os que estão ou buscam o poder sem quaisquer escrúpulos, os oportunitas e os que,
ingenuamente, pensam que tais grupos seguem regras morais; do outro, está o povo
brasileiro, levado em sua boa-fé a confiar em algo que que pode se tornar uma grande
armadilha. É neste lado que estamos nós também: uma corrente que não vai transigir e
se deixar enganar pelos que usam a tecnologia e a chamada modernidade para manipular as
eleições.
O Ministro Nélson
Jobim reuniu-se com parlamentares e lideranças dos partidos e, ali, concordou que o
processo eleitoral informatizado deveria oferecer determinadas garantias. Foram várias
medidas, a mais importante delas a impressão do voto eletrônico, em paralelo ao seu
registro eletrônico. Pois sem isso e impossível a recontagem e, sem recontagem não há
garantia da verdade eleitoral. O cidadão inocente aperta uns botões, vê uma foto e
adeus. Ninguém pode garantir para onde foi seu voto. Desaparece. No disquete fica apenas
o que seria o resultado da urna, operação que pode se prestar a diversos tipos de
fraude. Só o voto impresso, secreto e lacrado permitirá a comprovação do resultado
eletrônico.
Sem isso, as eleições
ficam entregues a técnicos vindos sabe-se lá de onde, sem legitimidade para
substituírem-se os juízes.Não nos conta que os srs. juízes sejam doutores em
informática. Não podem por conseguinte, ficar presos, nesta matéria, a indicações de
um única fonte.
Nos últimos dias, as
decisões a este respeito no Congresso converteram-se num imbróglio
inacreditável. Tornou-se evidente que o Ministro Jobim está sendo persuadido a evitar a
adoção das garantias que o simples bom-senso exige, a ponto de reduzir a sua palavra
de que a maioria dos votos deveria ser impressa a apenas algumas urnas, a título
de simples teste.
Que forças estarão
tentando persuadir o ilustre jurista que administrará as eleições? Falta de recursos?
Ora, esta informatização vem custando bilhões, desde a época da ditadura. Perto disso,
imprimir votos seria uma ninharia.
Mais grave é a
indiferença dos candidatos e de seus seguidores no Congresso. Poucos, além de nós,
estão resistindo. Sei o que pode ocorrer: o caso Proconsult foi a primeira fraude brotada
da informatização das eleições. Naquele episódio, ainda havia votos a serem contados
e os juízes puderam evitar a fraude que técnicos do SNI faziam às suas costas. Ainda
há tempo para garantir eleições limpas e o respeito à vontade do povo brasileiro.
LEONEL BRIZOLA