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Juventude FAP Brizola

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80 anos de Leonel Brizola

Leia os depoimentos e homenagens prestadas por:

Mário Soares - Raul AlfonsinItamar Franco - Celina Vargas do Amaral Peixoto - Carlos Chagas - Ciro Gomes - Antônio Carlos Magalhães - Mino Carta - João Pedro Stédile - Cândido Norberto - Oscar Niemeyer - Nilo Batista - César Maia - Miro TeixeiraJosé Augusto Ribeiro - Vivaldo Barbosa - Alceu CollaresVieira da Cunha - Carlos Lupi - Nelton Friedrich - Osvaldo Maneschy - Lauro Campos - Manoel Dias - Paulo Markun e Duda Hamilton - Jorge Otero - Eduardo Azeredo Costa - Paulo Ramos - João Luiz Vargas - Rogério Portanova

 

 

Mário Soares (Ex-Presidente de Portugal)

Leonel Brizola é um idealista e um resistente. Um homem de convicções, com uma paixão desinteressada pela política, vivida como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentado do Brasil e para uma nítida melhoria das condições de vida do Povo Brasileiro. Sobretudo do povão -  os mais humildes e desfavorecidos, a gente das favelas, os sem terra e sem trabalho.

Gaúcho, de origem italiana e portuguesa, como indica o seu nome, Moura Brizola, engenheiro de profissão, fez-se eleger deputado estadual pelo Rio Grande do Sul com 28 anos. Foi então que casou com Neusa Goulart, excelente companheira, sempre solidária com o seu Marido, irmã do seu colega de bancada e amigo João Goulart e se relacionou com uma das suas principais referências políticas, o Presidente Getúlio Vargas.

Desde então, a sua vida foi absorvida, em sentido literal, pela política. Foi secretário de Obras do Governo do Rio Grande, deputado federal (em 1954) e prefeito de Porto Alegre de 1955 a 1958. Em 1958 foi eleito Governador do Rio Grande do Sul.

Eleito de novo deputado federal pela Guanabara (Rio) em 1962, foi imediatamente cassado após golpe militar de 1964, logo na primeira leva. Começou então a sua vida de exilado, no Uruguai, que não foi fácil nem cómoda.

Expulso do Uruguai em 1977, foi então que o conheci pessoalmente. Nessa altura, era eu primeiro ministro do I Governo Constitucional (1976-78). O meu amigo e então jornalista, em Londres, Hermano Alves telefonou-me tarde na noite para me pedir que concedesse asilo político a Leonel Brizola para poder vir residir em Portugal. Assim fiz. Veio. Conhecemo-nos e tornámo-nos rapidamente amigos, tendo-o introduzido nos meios da Internacional Socialista, organização de que é hoje ainda Vice-Presidente.

Leonel Brizola para além de um político de rija têmpera, que sabe o que quer e para onde vai, é uma pessoa  humana com qualidades excepcionais: bondade,  generosidade, amizade expontânea e autêntica pelos que merecem ser seus amigos.

Retomada a via democrática no Brasil, Leonel Brizola regressou ao Rio em 1979, procurando refundar o PTB, cuja sigla lhe foi recusada pelo TSE, em 1980. No ano seguinte fundou o PDT que desde então lidera, tendo sido Governador do Rio de Janeiro e Candidato à Presidência da República do Brasil.

Ao fazer 80 anos, encontra-se com a mesma energia de sempre, alerta, activo, confiante no futuro, participante nas lutas cívicas. Com a sua biografia política e o seu optimismo, continua a ser uma personalidade perfeitamente singular e incontornável no panorama político brasileiro.  

 

Raul Alfonsin (Senador e ex-Presidente da Argentina)

Buenos Aires, 15 de Enero de 2002  

Querido amigo y compañero  
Leonel Brizola

Hemos compartido ya muchos años de militancia en nuestra querida América Latina defendiendo los intereses de los que menos tienen y la independencia de nuestras naciones.

Desde hace mucho tiempo tengo el honor de compartir con Usted nuestra actividad en la Internacional Socialista y deseo hacer pública la trascendencia de vuestro trabajo en este ámbito en defensa de los intereses de América Latina y de los demás países en desarrollo.

Le deseo muchas felicidades en vuestro cumpleaños, y fundamentalmente que conserve la fuerza que siempre ha tenido para mantener el compromiso de vida que lo ha caracterizado a lo largo de su actuación.

Un fraternal abrazo de su amigo,  Raul Alfonsin

 

Itamar Franco (Ex-Presidente do Brasil e atual Governador de Minas)

REFLEXÃO SOBRE O ANIVERSÁRIO DE 80 ANOS DO DR. LEONEL DE MOURA BRIZOLA.

SÃO OITENTA ANOS DE VIDA PÚBLICA E DE EMBATES DEDICADOS AO OBJETIVO MAIOR DE ALCANÇAR O PROGRESSO E O BEM ESTAR DO POVO BRASILEIRO.

ESTAMOS DIANTE DE PROEMINENTE FIGURA DA HISTÓRIA PÁTRIA CONTEMPORÂNEA QUE ABRAÇOU COMO RAZÃO DE EXISTIR A DEFESA DO PATRIMÔNIO MORAL E ÉTICO DA NACIONALIDADE.

HOMEM PÚBLICO DE INCONTESTÁVEL LINHA DE COERÊNCIA E TENACIDADE, SEMPRE COMPROMETIDAS COM A INTRANSIGENTE PROMOÇÃO DO INTERESSE PÚBLICO E DOS VALORES PÁTRIOS, MARCOU A SUA EXISTÊNCIA PELA LEALDADE AOS COMPANHEIROS, SEM NUNCA VACILAR NA DEFESA DA CAUSA NACIONAL.

AS GERAÇÕES QUE NOS SUCEDEREM TERÃO EM LEONEL BRIZOLA UM EXEMPLO DE HONRADEZ, CIVISMO E LISURA E, ACIMA DE TUDO, UMA REFERÊNCIA DE POSTURA NA DEFESA DA CAUSA NACIONAL.

A EXPERIÊNCIA ACUMULADA AO LONGO DE OITO DÉCADAS DE EXISTÊNCIA, ALIADA À SEMPRE PRESENTE DISPOSIÇÃO DE LUTA, NOS PERMITE AFIRMAR QUE LEONEL BRIZOLA AINDA TEM MUITO A  CONTRIBUIR NA EDIFICAÇÃO DA PÁTRIA QUE SONHAMOS.

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Celina Vargas do Amaral Peixoto

A propósito dos 80 anos de Leonel Brizola, Celina Vargas do Amaral Peixoto, neta de Getúlio Vargas, falou ao Fio da História, em entrevista na qual declarou:

Não tenho dúvida de que Brizola é um grande getulista. Depois de minha mãe, Alzira, filha apaixonada de Getúlio Vargas, Brizola é o getulista mais expressivo que conheci.

Sua vida tem sido marcada por uma linha de coerência muito forte. Passa pelo trabalhismo, pela construção do antigo PTB e por sua luta pela sobrevivência de um partido trabalhista identificado com as idéias e a luta de Getúlio Vargas.

Brizola compreendeu o empenho de Vargas em favor de um partido que não fosse o defensor das elites, mas também não fosse o partido comunista. O modelo getulista passava por uma situação intermediária, um partido socializante, como dizia o próprio Getúlio.

Por ter entendido isso de modo muito claro, e por ter feito disso a linha constante de sua vida, Brizola foi o mais atingido em seu projeto. Foi atingido em 1964, foi atingido nos anos do exílio e, mesmo depois da anistia de 1979, foi atingido na disputa pela sigla PTB, entregue a um grupo cooptado pelo governo de então e que até hoje representa muito pouco, quase nada, do trabalhismo, até por causa dos padrões éticos envolvidos.

Brizola também compreendeu e seguiu Getúlio Vargas do ponto de vista da organização político-partidária. Tratava-se de construir um partido trabalhista voltado não apenas para os trabalhadores da indústria, mas também para os trabalhadores do comércio e do que hoje chamaríamos o setor de serviços  e em especial para os trabalhadores da agricultura, o que ficou evidente desde o período em que foi governador do Rio Grande do Sul. 

Um partido trabalhista como o PTB original poderia chegar ao poder para realizar seu programa. Por isso o PTB foi o partido que mais cresceu até ser extinto em 1965 pelo segundo Ato Institucional. No regime de 1964, o PTB foi o partido mais atingido. Também extintos em 1965, a UDN e o PSD sobreviveram na Arena. Em alguns Estados, como o antigo Estado do Rio, o MDB conseguiu manter a coligação PSD-PTB.

Outro ponto que gostaria de destacar é que Brizola é uma pessoa grata. São raros os políticos assim. Em todos os passos de sua vida, Brizola tem demonstrado sempre seu sentimento de gratidão. Até seu getulismo tem esse traço.

Mas o que mais caracteriza a conduta dos políticos é serem ora defensores das elites, ora dos pobres, ora de grupos financeiros, estrangeiros e corporativos. Se existe uma característica marcante em Brizola é a coerência com que sempre fez a política dos pobres.  

 

Carlos Chagas

Ninguém entra na História na hora errada. Nem por acaso. Os fatos geram os personagens, mas são os personagens que conduzem os fatos. Faz tempo que saiu pelo ralo a teoria do fatalismo, de que os fatos são conduzidos por leis genéricas, independentes dos personagens. A grande alavanca a mover o mundo ainda é o indivíduo, o homem, disposto a agir quando a maioria se acomoda.

Leonel Brizola entrou para a História do Brasil porque modificou a História do Brasil. Não fosse sua ação nos idos de 1961 e teríamos mergulhado num poço sem fundo e sem retorno, mil vezes mais profundo do que o buraco em que nos enfiaram três anos e pouco depois.

Governador do Rio Grande do Sul, Brizola ensinou o país a resistir, resistindo sozinho. Disse não ao golpe que pretendia impedir a posse de João Goulart, vice-presidente da República na plenitude de seus direitos. Acendeu a chama da legalidade. Depois de haver denunciado a ilegalidade é que começaram a aparecer os legalistas. Isolado no palácio Piratini, dispôs-se a fazer cumprir a Constituição ou morrer. Sua pregação contagiou os indecisos, os acomodados e os fatalistas.

A vitória não foi completa. Derrotados os golpistas, a hora seria de seguir adiante, através de uma Assembléia Nacional Constituinte quer revirasse as entranhas de um país acostumado ao mando de elites reacionárias e privilegiadas. Malograram seus esforços, apesar de o Brasil inteiro render-lhe homenagens e reconhecer nele o símbolo maior da resistência.

É aqui que a História acolheu Leonel Brizola, porque quando os golpistas retornaram com mais força e quebraram as estruturas de um regime amorfo, insosso e inodoro, em 1964, foi ele que do exílio inoculou em todos nós o germe da esperança. Da certeza de que resistir era preciso.

O regime discricionário não precisou inventar um adversário. Ele existia na pessoa de Leonel Brizola, que mais uma vez, mesmo de longe, serviu como estuário da resistência. A ditadura militar não conseguiu conter o eco de sua voz, transformada na voz de todos.

Depois disso, o governador do Rio de Janeiro por duas vezes, o engenheiro, como carinhosamente o chamamos, permaneceu onde sempre esteve: buscando as mudanças estruturais na política e na economia, capazes de romper as amarras do atraso social e dos privilégios das elites. Por conta disso não se elegeu presidente da República. Mas jamais deixou cair a bandeira da resistência, que continua tremulando nas mãos de quem, já estando na História, continua determinado a fazer História. E querem saber de uma coisa? Fará, apesar de não precisar mais.

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Ciro Gomes

Aos 32 anos de idade ,eleito governador do Ceará, deu-se para mim a oportunidade histórica de finalmente conhecer em pessoa e conviver mais de perto com a instigante personalidade de Leonel de Moura Brizola. Pertencente a uma geração esmagada pelo autoritarismo e empurrada para a alienação política como forma de proteção contra a violência de estado eis me, eleito em aliança com o PDT ,próximo de uma das mais exuberantes e ativas personalidades da geração radiosa que a democracia de 46 nos ofereceu e contra quem diretamente fez-se a ditadura de 64.

Presença política quente em tudo de importante que aconteceu no Brasil - desde os traumas que abalaram nossa vida republicana a partir da renúncia de Jânio Quadros quando liderou a resistência em favor da legalidade e das instituições democráticas - dele não se faz ainda o devido registro do administrador visionário que está na base da moderna agricultura e da industrialização do Rio Grande do Sul bem como de uma impressionante obra de infraestrutura e massificação do acesso à educação naquele estado, germes de um talento que vêem se reproduzir no Rio de Janeiro, seja na bacia leiteira carioca, seja em obras e realizações como a Linha Vermelha, o sambódromo ou os CIEPS .

Sempre muito combatido pelo incômodo que causa às elites do pacto de privilégios e exploração que vige em nosso País, reaje sempre com despudor e valentia, razão porque, apenas aos que dele se aproximam mais é dada a oportunidade de conviver e realçar sua personalidade humana, paternal , bem humorada e amorosa  movida aqui também a um carisma impressionante!      

É assim quando recorda sua Neusa, é assim quando refere os amigos que se foram, é com piadas e adjetivos certeiros com que, rindo, destrói as figurinhas menores com que foi convivendo e se frustrando. Mas é assim especialmente que, com paciência e  entusiasmo, entrega-se ao proselitismo e à militância não se importando de por horas a fio recuperar a história e dela professar lições preciosas aos mais jovens.    

O Brasil precisa mais que nunca recuperar a política e fazer dela o instrumento de luta do nosso povo; seja para restaurar nossa soberania nacional conspurcada, seja para encerrar esta quadra de desmantelo social e econômico, seja para afirmar nossa identidade cultural atacada. Felizmente a luta difícil pode contar, como sempre contou, com referências altas como o Governador Leonel Brizola de quem pode-se até discordar mas é impossível deixar de respeitar e admirar!

 

Antônio Carlos Magalhães

Sempre fui um adversário do governador Leonel Brizola, entretanto ninguém pode lhe negar a coerência nas suas posições e na sua coragem de enfrentar obstáculos. Acredito que, politicamente, tenha errado bastante, porém sempre com a sinceridade que lhe fez desde cedo um líder importante em seu estado. Depois disso foi para o Rio de Janeiro onde desenvolveu intensa atividade política, tendo altos e baixos, comuns principalmente aos que têm uma longa vida pública. Jamais acreditei quando o acusaram de desonestidade porque o seu feitio de vida demonstra justamente o contrário. Tivemos diversos entreveros,mas de minha parte nunca ficou qualquer mágoa. Os seus 80 anos, conseqüentemente, devem ser comemorados pelos correligionários e ao mesmo tempo respeitado pelos adversários. Todos os homens públicos polêmicos são melhores do que os mornos, aos quais Dante sempre guardou um lugar no inferno.

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Mino Carta

Permito-me reproduzir trecho do meu livro O Castelo de Âmbar: "Robustiniano Villaverde calça botas de esporas até de smoking e summer jacket de alpaca brilhosa, e assim atravessou a vida pregando o mesmo credo.
Ninguém lhe sabe a idade, creio que passará dos 100 aparentando 50, e a receita desta resistência ao tempo e à força de gravidade tem de ser o apego inesgotável às crenças da mocidade. Nasceu na oposição e lá continua, tal a condição da sua virtude, bem, o contrário daqueles, que mais cedo ou mais tarde, se bandeiam para o lado mais forte. E Robustiniano firme, sem arredar botas e esporas um único escasso milímetro"
.
Robustiniano, ou seja, Leonel Brizola, tornado personagem de ficção sem trair o que foi, e é, na realidade. Metafóricas as esporas, real o summer jacket, envergado com garbo em uma das primeiras fotos que vi dele. A objetiva o colhia em um baile, dançava com a mulher, e o par que volteava ao lado era composto por João e Teresa Goulart. Alegres tempos da juventude gaúcha.
A resistência de Brizola à passagem dos anos está muito bem representada pelos seus oitenta anos bem vividos e admiravelmente carregados, indesmentíveis porque denunciados pelo registro de nascimento. No mais, não há como negar-lhe a fidelidade às idéias e às crenças da mocidade. A coerência. Mercadoria raríssima. Escassa e preciosa.

 

João Pedro Stédile

Me alegro em poder participar dessa coletânea de depoimentos sobre os 80 anos de vida de Leonel Brizola, e certamente uns 60 anos da vida política de nosso país.

Me alegro como brasileiro gaúcho, como dirigente de um movimento social e também, porque na minha infância, no interior de Nova Prata, RS  somente pude estudar porque foi construída uma escola pública, que eram chamadas popularmente de Brizoletas e que depois soube, fizeram parte de um grande programa de educação pública do governo Leonel Brizola (1958-62) que criou oportunidade para que TODAS crianças gaúchas, e sobretudo as mais pobres, em todo território, pudessem estudar.

Mas mais do que recordações pessoais, que me marcaram, como aquelas de acompanhar pela rádio farroupilha, lá nos fundões de Lagoa  vermelha, o programa da Legalidade, verdadeiras aulas de civismo, que toda população acompanhava com atenção, queria ressaltar o significado da figura publica de Leonel Brizola para a história de nosso país.

Seguramente, não há nenhum fato político importante da vida nacional dos últimos sessenta anos, que não teve a participação do Brizola, e certamente ele foi um dos raros líderes partidários, nacionais e popular desse  período, ao lado do capitão Luís Carlos Prestes e Luis Inácio da Silva..   

E na trajetória de Brizola queria chamar atenção de algumas qualidades, que podem nos servir de exemplo, para os que tem responsabilidades políticas na vida pública.    Primeiro a ousadia na defesa de suas idéias.   E, em muitos episódios pagou caro por essa coragem, como foi amargar o exílio.   Segundo, o respeito aos recursos públicos.  São raros os políticos honestos nesse país, e nada consta contra sua postura ética no trato dos recursos públicos. Terceiro, a coerência.   Muitos podem critica-lo pelo teor de suas idéias, por suas formas de atuar politicamente.  Mas ninguém pode chamá-lo de incoerente.  E como faz falta lideranças com coerência !!  Não uma coerência de semanas..de meses, mas uma coerência de vida inteira, de lealdade a seus próprios ideais.

Espero sinceramente, que essas homenagens, mais do que o merecido agrado a esse velho lutador, nos sirvam de reflexão, sobre os destinos de nosso país, sobre a responsabilidade que as lideranças políticas e populares devem ter na vida pública.  Num período histórico de tanto entreguismo, de tanto oportunismo, de falsidade de valores, de corrupção, a trajetória de Leonel Brizola, deve incomodar muita gente.  

João Pedro Stédile, 48, gaúcho de Lagoa Vermelha, gremista, membro da direçao nacional do MST   

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Cândido Norberto (Colunista da Zero Hora)

Politicamente infinito

Leonel Brizola completou ontem 80 anos, quase todos eles politicando. O que fez – e continua fazendo – com uma impressionante empolgação recheada de êxitos e de fracassos, de risos e lágrimas. De intransigências e de acomodações, segundo fossem as circunstâncias políticas. Desde muito jovem revelou-se um homem visceralmente político.

Conheci o ex-governador gaúcho e fluminense quando ele, na Assembléia Legislativa, inaugurava seu segundo mandato parlamentar, e eu o primeiro dos quatro que desempenhei. Éramos, então, jovens e arrebatados. Por isso ou por aquilo – detalhe que não vem ao caso –, já em nosso primeiro confronto verbal, no plenário do velho casarão da Rua Duque, não nos entendemos. Ao contrário. De lá para diante nossas discordâncias políticas só se agravaram, sobretudo quando ele, deixando o parlamento, passou a ocupar cargos executivos, de início como secretário de Obras do governo Ernesto Dorneles, após na prefeitura da Capital e a seguir como governador do Estado. Nossas divergências se explicavam por diversos fundamentos, tendo como pano de fundo este: seu partido, o PTB primitivo, ou original. Não fazia o meu gosto de deputado do Partido Socialista Brasileiro, nem este o dele. Antes pelo contrário. E a tal extremo que nossa recíproca antipatia política terminou se transformando em discórdia pessoal. Ao socialismo democrático – tal o conteúdo ideológico do PSB de João Mangabeira – Brizola viria se aproximar somente anos mais tarde quando, já no exílio, chegou a uma das vice-presidências da 3ª Internacional Socialista, cargo que, se não me equivoco, ocupa até hoje. Foi com ele já portador de tal título que viemos a manter nosso primeiro e cordial diálogo. Esse aconteceu por iniciativa sua, ao retornar do exílio e visitar-me na TVE, que eu à época dirigia. Já estávamos, então, com nossos direitos políticos readquiridos, eu por decurso do tempo de cassação, ele por obra da anistia concedida no governo de João Figueiredo. Vestindo paletó “jeans” e ostentando cabelos longos, como estava em moda entre os jovens, Brizola se mostrava o mesmo político de sempre: empolgado, firmemente decidido a recomeçar sua trepidante saga política. Em nossa conversa, além de politicarmos um pouco, comentamos a beleza da paisagem porto-alegrense que se oferecia aos nossos olhos, desfrutada lá do alto do Morro Santa Tereza.

Lembro suas palavras e seu gesto ao nos despedirmos naquele começo de crepúsculo: – Quer dizer que agora vamos de novo para a luta, não é mesmo?

Eu, fora – disse-lhe, o que o levou a sentenciar:

Aí é que tu te enganas. Quando a gente pensa que está bem por fora vai-se ver e se está bem por dentro!

O incansável caudilho ilustrou essas palavras com um gesto forte: fez sua mão direita traçar um círculo no ar até que seu dedo indicador se aninhasse na concha de sua mão esquerda – bem lá dentro, como ele voltaria a ficar na política brasileira. E como nela, aliás, ainda hoje permanece de corpo e alma, sem projeto de deixá-la. E aí o temos em tal forma e com tal garra que eu seria o último a me surpreender com a notícia de que, rendendo-se aos apelos de seus correligionários e comandados, ele se decidira a concorrer, mais uma vez, à presidência da República.

Enquanto respirar, Brizola será politicamente infinito.

 

Oscar Niemeyer

Pedem-me falar de Leonel Brizola. Vou fazê-lo com o maior prazer.

Foi Brizola que construiu o Sambódromo, em tempo recorde que todos achavam impossível. Foi ele quem realizou mais de quinhentos CIEPs, oferecendo às crianças desta cidade o sistema de ensino adequado, de tempo integral, assegundo-lhes o local de estudo que lhes faltava, alimentação diária, os esportes, etc.

Foi Brizola que construiu a Linha Vermelha que tanta falta fazia ao Rio.

E nos momentos difíceis, quando uma solução mais radical se impunha, foi ele quem a propôs corajosamente.

Quando hoje falam de eleição presidencial, é da Amazônia que me lembro, com os aviões norte-americano a voarem sobre as nossas fronteiras.

E aí é o nome deste grande brasileiro que me aparece, voltado para o nosso povo, patriota, pronto para o que der e vier.

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Nilo Batista

Na ocasião em que festejamos a plena juventude de Leonel Brizola aos oitenta anos, uma única dificuldade se apresenta: qual de suas inúmeras lições devemos enfatizar? Sua obra educacional, que escolarizou toda a população do Rio Grande do Sul e criou no Rio de Janeiro o projeto pedagógico mais avançado de seu tempo? Sua coragem cívica, que na Campanha da Legalidade arrostou todos os perigos – inclusive o da própria morte – para evitar o assalto ao poder legítimo então em curso? A sensibilidade social, que torna sua precedência reconhecida pelo MST? Sua fina intuição, capaz de perceber a fraude dos planos econômicos ainda na contramão da opinião pública manipulada? Seu nacionalismo em permanente luta contra a ganância do colonialismo on line, na brasilidade do olhar com que percebe as sangrias que nos são impostas? A finura de suas análises políticas? A probidade pessoal? A fantástica capacidade de fazer-se compreender pelo povo e de mobilizá-lo?

Companheiros mais habilitados que eu podem discorrer sobre essas e outras lições de Leonel Brizola. Quero deter-me apenas numa, que me toca de perto. Ninguém compreendeu melhor do que Leonel Brizola as verdadeiras funções do sistema penal nas sociedades de classe. Muito antes das formulações acadêmicas, Brizola percebeu que as agências policiais operavam seletivamente, segundo estereótipos criminais constituídos a partir da imagem de negros, brancos pobres e favelados. Ainda mais: o papel dos meios de comunicação, alavancando controle social penal sobre as “classes perigosas”, instituindo as favelas como locus da infração e do desregramento, foi por ele pressentido e contestado. Nenhum governante brasileiro teve, como ele, a percepção de que a criminalização das ilegalidades populares, das estratégias de sobrevivência de camelôs, flanelinhas etc. não passava de uma perversidade direcionada à atemorização e ao controle social.

Fui por Leonel Brizola convocado para o exercício de funções públicas. Como eu era – e continuo sendo – um professor de direito penal e um advogado criminal, pensei naquela ocasião que poderia ser útil ao projeto político do trabalhismo, no setor específico de minhas habilitações acadêmicas e profissionais. Não podia imaginar que, ao contrário do que pareceria natural, iria aprender com Leonel Brizola mais do que aprendera nos livros e na vida forense.

Vivemos dias desditosos. O discurso único da mídia, convertida em braço armado dos bons negócios da telecomunicações, apresenta nossas idéias como derrotadas, nas escassas vezes em que as menciona. Que honra para nós e para nosso líder: sermos os antípodas da vitória do individualismo, da desnacionalização, do entreguismo, do desemprego e da desassistência. Obrigado, Brizola, por suas lições; muito especialmente, no meu caso, pelas maravilhosas aulas de criminologia que recebi. Seus companheiros não o decepcionarão. Enquanto estivermos vivos, estaremos na luta, sob sua liderança. Feliz aniversário, comandante.

(Ex-Governador do Rio de Janeiro)

 

César Maia

Didi disse que craque é aquele que de dentro do campo vê o jogo como se estivesse na arquibancada. Drucker disse que visão estratégica e ver o que há de futuro no presente. Theodore Roosevelt disse que estadista é o que sabe o que significa o dia de hoje na história. Coragem, ousadia, coerência seriam qualidades facilmente atribuíveis a Brizola. Prefiro ficar com as assertivas acima. Mestre da política comparada, ninguém mais que Brizola antecipou e interveio nos fatos políticos destes últimos 50 anos. Ele fez a releitura de Getulio. Entendeu que seria melhor com Jânio do que sem ele. Sinalizou a que levariam as concessões no início dos anos 60. Contra a corrente, precipitou a participação das lideranças pré-64 nas eleições de 82. Aceitou o desgaste ao preferir trocar o prolongamento da transição, culminando em eleições diretas mais cedo, do que a democratização com eleições indiretas, que culminaram em Collor. Apontou os desdobramentos de planos econômicos artificiais. Abriu espaços para a unidade das esquerdas, posteriormente desarrumada em 98 pela ambição dos personagens. Mostrou para onde iam as vaidades políticas da esquerda em 2002.  Acendeu os faróis da atual crise argentina. Mas, sobretudo, antecipou a questão da educação como vertebral para uma sociedade nova, hoje conhecida como sociedade do conhecimento. Isto já na segunda metade dos anos 50, e depois potencializada por suas ações nos anos 80. Descriminalizou a pobreza a iniciou o processo de integração das favelas, coroado hoje com o consenso daqueles que resistiam e com programas e recursos que têm nele a origem e as razões. Destacou, em 83, a questão da titulação da propriedade dos favelados, transformada em apoteose na Assembléia da ONU, em junho de 2001.

Craque, estrategista e estadista Brizola é o mestre daqueles que,  como eu, souberam - e continuam a saber - ouvi-lo. Mais do que nunca, precisamos ouvi-lo em 2002. Será mais fácil conhecer as pedras do caminho.

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Miro Teixeira

Brizola desmente a reputação de caudilho que, no fundo, ele gostaria que fosse verdadeira. Vencido nos debates internos, segue a maioria para, só então e quase sempre com bom humor, revelar-se contrariado com um ou outro que supunha acompanhar seu ponto de vista. Não percebe encanto nas conversas curtas e diretas. Alonga-se em espirais de abordagem de temas já cartesianamente organizados em sua cabeça. Mas a espiral envolve e encanta o interlocutor. Temos atravessado juntos os momentos recentes, os mais críticos da vida de nosso País. O tempo atual, mais do que nunca, ditará o futuro do Brasil; uma sofisticada forma de autoritarismo tem impedido o completo esclarecimento da população sobre a apropriação do patrimônio público e o esmaecimento da soberania nacional. Poucos são os que se dispõem ao enfrentamento das forças internacionalmente organizadas, com parcerias locais, para tornar o povo brasileiro mão de obra barata, submissa, humilhada. Essa enorme onda vai passar e nossa luta é para que, depois, não reste apenas a destruição. As idéias a tudo resistem. São indestrutíveis, como o PDT, como Brizola.

 

José Augusto Ribeiro
As crianças dos Cieps

São tantas as lembranças, ao chegarmos aos 80 anos de Leonel Brizola, que é difícil selecionar as mais significativas e decisivas.

Mas agora surge uma, que é a mais forte de todas.

Minha mãe, que hoje estaria chegando aos 90 anos (e mesmo morta protestará porque revelo sua idade), devia ter restrições, de inspiração religiosa, a ele. Na campanha de 1994, ela decidiu seu voto no Dia das Mães, quando viu o programa de TV sobre os Cieps, produzido pela Secretaria de Projetos Especiais, de Darcy Ribeiro, dirigido por Tatiana Memória e apresentado por mim.

Para esse domingo, Dia das Mães, fizemos um programa sobre as cinco mil crianças que viviam nos Cieps, mas principalmente sobre as mães e os pais sociais, casais selecionados por concurso e depois de entrevistas rigorosas, para morar nos Cieps, em apartamentos em geral localizados em cima do anexo onde funcionava a biblioteca, e cuidar dessas crianças.

O marido trabalhava como uma espécie de zelador e faz-tudo do Ciep, cuidava das instalações elétricas, da limpeza, do encanamento, do gás, dos portões, da segurança - e faria, naquilo que fosse necessário, o papel de pai substituto das crianças.

A mulher seria responsável pela casa e pelo cuidado imediato das crianças - em alguns casos, creio, quinze crianças. Os apartamentos em cima da biblioteca eram simples e pobres, mas amplos, limpos e ensolarados. Tinham uma sala de estar e de refeições grande o bastante para comportar tanta gente, com televisão e talvez toca-discos; um quarto para o casal e dois quartos para os filhos, um para as meninas, outro para os meninos, quartos enormes, com camas-beliche. Não descrevo esses apartamentos pelo que tenha ouvido a respeito deles.

Estive em vários Cieps, estive nesses apartamentos, nos consultórios médicos e dentários, nas salas de aula e áreas de recreação, nas bibliotecas e até diante dos computadores que começavam a ser instalados para os alunos.

Nos apartamentos, o que mais me impressionou foram as máquinas de lavar roupas, máquinas de modelo industrial, sólidas, resistentes e capazes de durar anos lavando todos os dias a roupa de quinze crianças que sujavam, cada uma, todos os dias, pelo menos dois uniformes, o das aulas e o da recreação e dos esportes (além da roupa de dormir).

Como não tínhamos recursos nem verbas para fazer do programa dos Cieps (chamava-se “Fala, jovem!”) uma espécie de Globo Repórter alternativo, o programa do Dia das Mães foi feito em nosso estúdio, com a presença de algumas daquelas senhoras, as mães sociais, e talvez algumas das crianças que viviam nos Cieps. As mães sociais eram mulheres pobres e simples, sem maior capacitação profissional. É claro que eram treinadas e selecionadas sobretudo por aquilo a que eu chamaria sua capacitação afetiva - a possibilidade de tratar com amor e carinho crianças tão carentes e às vezes agressivas, difíceis e refratárias à convivência e ao afeto.

Uma das entrevistadas, pelo menos, criava seus filhos biológicos junto com seus filhos sociais - e os meninos de uma e outra origem tornaram-se espontaneamente irmãos. Para ela, a mãe, não havia diferença, nem via diferença no afeto que dava a uns e outros e no que recebia deles.

Outra candidatara-se ao emprego não só porque no mundo já daqueles dias qualquer emprego era uma jóia rara, mas porque, casada por bom tempo, não conseguia ter filhos. Se não podia ter os seus, cuidaria dos filhos dos outros. Pois não é que nessa doação e nessa transfusão de amor ela logo engravidou, sem mais terapias de fecundidade, e decidiu que seu filho biológico cresceria  junto com aquele bando de filhos sociais?

Foi isso o programa - e era isso a vida dessas mulheres e dessas crianças - amor, doação, transfusão.

Na véspera da exibição, telefonei para minha mãe, que vivia em Curitiba, e disse que tinha para ela, na manhã seguinte, um presente de Dia das Mães - aquele programa. Mal o programa termina e toca o telefone. Era ela, para dizer:

-  Resolvi agora. Vou votar no Brizola e pedir para ele todos os votos que puder. Podem dizer o que quiserem, mas isso que vocês mostraram na televisão é que é importante. O verdadeiro cristão é ele, mesmo que não saiba disso.  

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Vivaldo Barbosa

Há um brasileiro que há sessenta anos está na vida  pública do País.  Há sessenta anos doa-se a servir à causa de seu povo e aos interesses superiores do País e da Nação.  Agora,  Leonel Brizola está completando oitenta anos de idade.

Primeiro, o ser humano.  Encontra-se fisicamente inteiro, mentalmente na mesma febril atividade, no intenso trabalho de acompanhar tudo o que acontece no mundo e no Brasil e de como, a partir dos acontecimentos, extrair o melhor que pode ser feito pelo Brasil e pelo povo brasileiro.

Aos oitenta anos,  olhando do alto de sessenta anos de doação de si em prol da causa pública, encontra-se com plena compreensão das coisas que acontecem no Brasil e no mundo.  È o brasileiro, hoje, com a visão mais nítida, o entendimento mais límpido sobre o processo de espoliação e de despojo do Brasil e dos países do terceiro mundo pelos Estados Unidos, pela Europa e pelo Japão.  Em consequência, nossos países estão atolados em dívidas impagáveis e em trocas comerciais nas quais só perdemos, e tudo que perdemos acumula-se lá fora em favor  desses países,  Em nós, só nos deixa um imenso buraco que esses governos liberais procuram preencher cortando nos salários, na educação, no saneamento, na infraestrutura, na produção.  Para inviabilizar um imenso país.

Brizola tem sido o brasileiro que nos últimos tampos da vida brasileira  em que todos, todos os demais setores do país se desorientaram,  tem proclamado com insistência e contundência que a educação e a solução da questão da terra e da produção são as prioridades acima das prioridades, questões acima da economia e da moeda.  Com a simplicidade e a humildade de quem demonstra o óbvio: foi isto que fizeram a grandeza e o progresso dos Estados Unidos, Europa, Japão, Coréia e China.

Brizola foi formado em uma geração em dominava na política brasileira o compreensão de que o Brasil era uma grande nação e que podia e devia aspirar a um grande destino para o nosso povo. Forjou-se na têmpera do patriotismo e do nacionalismo.

Aos oitenta anos, com sessenta anos de vida pública, Brizola é o político mais atual do Brasil, a continuar a iluminar nossos caminhos e a alimentar nossos sonhos.

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Alceu Collares

Uma bela e digna caminhada na estrada da vida. Pela força de vontade, chegou a engenheiro. Veio dos confins da pobreza. Lutou com tenacidade para superar as dificuldades naturais para quem busca a ascensão social. Deputado estadual, deputado federal, governador três vezes pelos dois Estados mais politizados do País: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Único político obrigado a viver as amarguras provocadas pelo confinamento político. Sofreu grandes decepções, principalmente por conta de traições, oriundas de onde jamais esperava. Candidato à Presidência da República em duas oportunidades.
Concorreu à vice-Presidência da República na aliança com o PT. No ano de 2000, disputou a prefeitura para salvar o PDT das garras de grupos oportunistas que desejavam tomar conta do partido. Brizola, na volta do exílio, retomou o extraordinário patrimônio
trabalhista, tirando das cinzas da ditadura, o PTB. Roubaram-lhe a sigla. Não desanimou e acabou criando o PDT. Ao longo dessa magnífica jornada, realizou obras destinadas a profundas transformações políticas, econômicas e sociais. Soube interpretar com fidelidade o sofrimento e o anseio das camadas pobres. Fez a revolução na Educação gaúcha, construindo 6.302 escolas de madeira, espalhadas por todo o Rio Grande do Sul. Sem energia e sem comunicação, o Rio Grande estava literalmente estagnado. Numa atitude de coragem, encampou empresas estrangeiras, como a ITT e a Bond Share, criando a CEEE e a CRT; construiu a Estrada da Produção e fundou a Caixa Econômica Estadual. De forma corajosa, e distante do fantasma das invasões, implantou a verdadeira Reforma Agrária no Estado, com a doação de 50% de sua propriedade, a exemplo da fazenda Pangaré, e o Banhado do Colégio, entre outras.
Em 1961, evitou a implantação da ditadura militar com a mais
empolgante mobilização popular - o Movimento da Legalidade. A nação se emocionou com a coragem e a determinação do grande líder Leonel Brizola.
Governador do Rio de Janeiro por duas vezes, dotado de forte inspiração, o estadista da Educação criou a Escola de Tempo Integral, o CIEP, um monumento à educação e à emancipação das classes excluídas. além de construir a Linha Vermelha.
Com Jango, liderou as reformas de base: agrária, política,
econômica, educacional, cultural, científica e tecnológica. Na prática, as medidas garantiram a modernização do Estado a serviço das aspirações do povo. Esteve sempre à frente de todos os movimentos populares de sua época.
Uma vida de coerência, de coragem e de monumentais vitórias. Transformou-se num dos mais respeitados líderes da América Latina. Brizola é a síntese do trabalhismo de Vargas, de Jango e de Pasqualini.
Hoje, vivendo a tragédia imposta pelo falido modelo neoliberal, que concentra a renda, a riqueza e a propriedade nas mãos de poucos e determina a exclusão das maiorias, o trabalhismo de Brizola representa a única alternativa viável para a construção de uma sociedade mais humana, mais justa e de um mundo melhor.

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Vieira da Cunha

Alguns dizem que a vida começa aos 40. Não foi o caso de Leonel Brizola. Aos 40, ele já tinha sido até Governador. E que Governador! Semeou escolas Rio Grande afora (6.300 em apenas 4 anos), comandou a Legalidade, fez a reforma agrária, criou a CEEE, a CRT, a Caixa Econômica Estadual, a Aços Finos Piratini, o BRDE, etc., etc.

Estava pronto para presidir o país quando lhe impuseram 15 anos de exílio. O povo brasileiro conquistou a Anistia em 1979 e Leonel Brizola retornou para refundar o PTB. Tiram-lhe a sigla e nasce o PDT – Partido Democrático Trabalhista, pelo qual, numa espetacular vitória, Brizola se elege Governador do Estado do Rio de Janeiro em 1982, com voto vinculado e tudo.

Perde a vaga para o segundo turno nas eleições presidenciais de 1989 para Lula que, inexperiente, é derrotado para Collor. Em 1990, volta a se eleger Governador do Rio, em 1º turno, prova que o seu governo foi aprovado e reconhecido pela população, apesar da implacável perseguição da toda-poderosa Rede Globo. Em 1994, não colhe bom resultado nas eleições presidenciais o que o leva a pregar, em 1998, a unidade popular em torno da candidatura Lula para tentar impedir a reeleição de FHC. Brizola foi candidato a vice-presidente. Não adiantou. FHC foi reeleito em primeiro turno. Enquanto isso, o PDT voltava ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Mas não por muito tempo. Brizola obriga-se a uma candidatura a Prefeito do Rio de Janeiro em 2000 para defender o partido do processo predatório a que foi submetido pelo carreirismo do Governador-trânsfuga.

E 2002? Bem, se a vida começou para Leonel Brizola bem antes dos 40, é certo que terminará bem depois dos 80. Saúde não lhe falta, muito menos projetos, idéias, liderança e vontade de transformar o nosso país numa Nação generosa que garanta vida digna ao seu povo. Força, Governador Brizola! O Trabalhismo precisa do seu líder firme e forte para liderar o processo social de mudanças rumo ao Brasil solidário e socialista que haveremos de construir.

 

Carlos Lupi

Leonel Brizola é um símbolo da pátria brasileira, que ainda não desistiu de lutar por sua verdadeira independência.

As varias lutas que Brizola travou durante seus 55 anos de vida pública, sempre foram diretas, limpas sem jogadas ou conchavos. De origem humilde a faculdade da vida o transformou em doutor, e a engenharia a profissão que ele abraçou. Deputado Estadual,  Secretário de Obras Públicas, Deputado Federal, Prefeito de Porto Alegre, Governador do Rio Grande do Sul, Deputado Federal pelo Rio de Janeiro. Pagou com 15 anos de exílio a sua luta em favor da democracia dos fracos e oprimidos. Volta com a anistia, eleito governador pelo PDT do Rio de Janeiro 02 vezes, as lutas da vida de Brizola tem a marca permanente do voto popular.

 A sua biografia, goste ou não de suas idéias, já esta na história do nosso país. Ao completar seus 80 anos o que esperar ainda deste homem, todas as surpresas e inquietude que o coração de um sonhador pode oferecer. Mais amor à pátria brasileira! impossível, mais coerência do que apresentou nos seus 55 anos de vida públicas! Impossível, mais luta! Impossível, o que esperar de Brizola ainda! Aquilo que nos trabalhistas brasileiros, sonhadores, continuamos a esperar de Leonel Brizola, e que aos 80 anos, nos ajude a construir a nação que apesar de descoberta há 500 anos, não conseguimos ainda conclui-la. Nos ajude a fazer desse país um verdadeiro pai de seus filhos. Que possamos amar a cada irmão brasileiro independente de sexo, raça, ou condição social, com o mesmo amor do menino de Carazinho, que a vida o fez doutor, que continua, aos 80 querendo construir o Brasil do trabalhador.

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Nelton Friedrich

Polêmico, corajoso, determinado. De família humilde, infância muito pobre, nunca traiu suas origens e sempre perfilou em defesa dos excluídos, dos trabalhadores, do Brasil.

Ganhou e perdeu eleições. Mas os mandatos e as funções que exerceu e exerce expressam austeridade e dignidade e nada existe que possa desaboná-lo.

Prefeito, Deputado Estadual e Federal, três vezes governado, é o único brasileiro a governar pelo voto direto dois estados. Como jovem governador dos gaúchos e depois duas vezes dos fluminenses, promoveu gestões inovadoras, desenvolvimentistas, de marcantes realizações até hoje lembradas e não superadas. Fez escolas como ninguém. Compreende, como poucos homens públicos, em toda a sua profundidade a crucial importância da questão educacional, transformando-se, pelo que fez (6.600 escolas no RS e as escolas de tempo integral –CIEPs- no RJ),  no primeiro estadista brasileiro da educação, como disse Darcy Ribeiro. Movido pelo senso cívico, com destemor, protagonizou um dos maiores movimentos populares que tivemos – a Campanha da Legalidade – em defesa da democracia, da Constituição e da posse do vice João Goulart, quando da renúncia de Jânio Quadros. Veemente na defesa de reformas estruturais, as reformas de base, não acredita em mudanças “de fachada”, superficiais. Idealista, defende transformações. Quer ver mudada a realidade brasileira, luta pelo que é necessário e não aceita a política conservadora-conciliadora de “fazer o que é possível”. Inimigo n° 1 da ditadura militar, tornou-se o brasileiro que mais tempo amargou o exílio. Inspirado nas questões nacionais, nos valores superiores da Pátria, traz vivo o fluxo da história vargopasqualinijangobrizolista. Ousadia e rebeldia marcam sua trajetória. Pelo interesse maior dos rio-grandenses ousou desapropriar empresas multinacionais de telefonia e energia. Por ter desafiado o poder imperialista, seus mesquinhos aliados internos e os interesses conservadores, nunca mais lhe pouparam Sobre Brizola definitivamente caiu a força implacável da destruição, do isolamento, quando não da calúnia, da difamação, da injúria. A fúria dos poderosos do capital e da grande mídia recai sobre o companheiro Leonel de Moura Brizola.

Como a omissão e a apatia não fazem parte da vida do líder maior do PDT, ele nunca se intimidou. Chega aos 80 anos com a mesma coerência e coragem. Permanece com vigor jovem, testemunho de que não envelhecem os que mantêm viva a esperança e fazem o bom combate! Sabe com objetividade de que não há democracia que suporta e nem que aceita  as distâncias sociais, econômicas e culturais existentes no Brasil. A indigência de existirem 50 milhões de brasileiros que vivem com menos de R$. 80 por mês, a ausência de uma política de desenvolvimento (no sentido de haver uma articulação da política industrial, comercial, de ciência e tecnologia sob a lógica brasileira), os escandalosos lucros dos bancos, a punição a quem trabalha e produz ou a quem quer trabalhar e produzir, as insuportáveis dívidas interna e externa, a violência generalizada, são aspectos de um modelo excludente, desumano, dependente, apátrida, falido. Em síntese, o Estado que temos está excluindo milhões de brasileiros e tem um espaço muito pequeno para a cidadania. O que  significa dizer quanto está atual a luta brizolista-pedetista pela soberania nacional. Porque sem soberania não há cidadania, nem projeto de país, de povo. Vale dizer: precisamos recuperar o poder de decidir, de decisão política do que é melhor para o Brasil e para os brasileiros. Da urgência de construir um PROJETO BRASIL, projeto de povo, popular e nacional. 

Nossa homenagem a Leonel de Moura Brizola. À sua estatura política, moral e histórica  Ao líder, ao companheiro, à pessoa humana. Aos seus sonhos, pois como profetizou José Marti,  ”os sonhos de hoje serão as verdades amanhã”.

 

Osvaldo Maneschy

Brizola e as urnas eletrônicas O engenheiro Leonel Brizola é o único político brasileiro de expressão nacional que entende – e não cansa de denunciar como inseguras – as urnas eletrônicas que estão em uso no Brasil. O fato de as urnas eletrônicas não permitirem recontagem de votos ou qualquer espécie de auditoria chamou a sua atenção. Ele se aprofundou no assunto, entrou em contato com engenheiros e técnicos independentes da área de informática que há anos discutem o assunto na Internet (www.votoseguro.org) e chegou a mesma conclusão que eles: as urnas eletrônicas são inseguras porque desmaterializaram o voto dos brasileiros. O fato das urnas não permitirem a recontagem de votos lembrou a Brizola as eleições de antes da década de 30, permanentemente fraudadas. Brizola não esqueceu a luta das oligarquias daquela época contra o voto secreto e que o fim da fraude eleitoral foi uma das principais bandeiras da Revolução de 30. Exatamente por não ter esquecido as lições do passado é que Brizola - um homem de 80 anos que seus inimigos acusam de ultrapassado – tornou-se o primeiro político brasileiro de expressão a denunciar a insegurança das urnas eletrônicas e a defender a impressão do voto eletrônico. Este fato em si – a luta de Brizola contra as urnas eletrônicas e pelo restabelecimento do respeito à vontade eleitoral dos brasileiros – mostra a dimensão do político e do homem. Quando constatamos que nas eleições gerais deste ano de 2002 apenas 23 mil das 404 mil urnas eletrônicas que serão usadas imprimirão o voto, única forma de garantir a lisura do pleito - vemos como a luta de Brizola é atual. Um homem que não esquece as lições do passado vive o presente e tem o dom de enxergar o futuro. Um dia todos os brasileiros entenderão o que Brizola não cansa de denunciar hoje: as urnas eletrônicas, sem imprimir o voto, são totalmente inseguras e inconfiáveis. E pelo fato de não permitirem qualquer tipo de fiscalização, elas são um retrocesso – verdadeira volta ao passado. Volta ao tempo dos coronéis e do voto a bico-de-pena.

Osvaldo Maneschy, jornalista.

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Lauro Campos

O Brasil assistiu à decomposição e à dissolução dos direitos e garantias sociais que, a duras e longas penas, estavam sendo conquistados por uma sociedade ainda molhada pelo líquido amniótico do sistema escravocrata.

A cor negra da pele e o monopólio da obrigação de trabalhar serviram de símbolo, de distintivo e de bandeira para aquela maioria sem direitos, sem enxada, sem voz e nem voto, sem tudo, sem nada - homens coisa, “res”.

A república, o liberalismo e o capital criaram novas condições para a exploração ampliada de negros escravizados e de brancos empobrecidos, expropriados. O “mercado livre” em que eram comprados e vendidos livremente os escravos, se amplia por meio do aumento da oferta da força de trabalho  que continuou “livre” para se submeter à força dos empregadores ou morrer de fome, abandonada e livre, no emprego, situação inexistente no velho regime.

Getúlio Vargas e Leonel Brizola são os representantes do inconformismo de alguns libertários que perceberam que a velha elite escravista e saudosista de seus poderes absolutos se organizara para trocar o pelourinho, a senzala, a prepotência por novos instrumentos capazes de reproduzir uma neo-escravidão.

O Brasil de hoje é o palco em que essas duas correntes opostas continuam a se digladiarem diante de uma sociedade perplexa e confundida.

Os reacionários, os lobos que vestiram a pele de cordeiros neoliberais, continuam a representar e a defender os privilégios da Corte, antes composta pelos nobres, pelos comerciantes e industriais portugueses e ingleses; hoje, a elite reacionária serve os interesses da corte imperialista, transnacional, bancocrática centrada no império norte-americano.

O governo FHC representa aquilo que ele próprio chamou de “antiestado nacional dentro do Brasil”; fiel à ótica do império, os direitos conquistados pelos trabalhadores devem ser revogados porque seriam “populistas”. Em troca do que ele considera de velho populismo, oferece aos trabalhadores desempregados e miserabilizados o seu neo-populismo da bolsa-escola de R$ 0,50 por dia, esmola que degrada quem oferece e ofende quem recebe.

Se a escolha que o neoliberalismo nos apresenta é entre o que chamam de populismo e economicídio que varre o mundo, dilacera a África, empobrece e avilta a América Latina, espouca em guerras e revoluções pelo mundo, a luta pela dignidade humana é, agora, a luta pelo chamado, por eles, de “populismo”, isto é, a batalha pela valorização dos trabalhadores brasileiros.

Neste momento em que o defensor incansável dos mais lídimos direitos dos trabalhadores brasileiros e da Nação, o Governador Leonel Brizola completa 80 anos de vida ativa e exemplar, a homenagem que a ele se pode prestar é a convocação para que ele permita que o PDT apresente sua candidatura à Presidência da República.

Sua aquiescência representaria um abraço de parabéns aos mais lúcidos e combativos brasileiros, seria a socialização da comemoração de seu aniversário.  

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Manoel Dias

Ao completar 80 anos, o Governador Leonel Brizola atinge, com a sua rebeldia e o seu inconformismo com o quadro de degradação da vida pública, o momento mais importante de sua vida pública. A política de privatização, lesiva ao interesse nacional, a renúncia à nossa soberania, com a submissão ao FMI, e os indicadores econômicos e sociais que mostram o empobrecimento de importantes contingentes da população brasileira, recolocam Brizola no centro da discussão da política nacional. Afinal tem sido ele o mais firme opositor a esse modelo neoliberal.

A sua história, coerente e obstinada na busca da construção de um País desenvolvido e justo, colocam, para a população brasileira, como o único líder capaz de restabelecer a dignidade nacional e promover políticas públicas que priorizem os interesses dos brasileiros.

Como governante que mais construiu escolas, resgatando gerações de condições humilhantes, é a certeza de uma Pátria cultural e tecnologicamente preparada para o futuro. A sua biografia incomparável a nenhuma outra figura da política nacional, garante a todos os brasileiros a certeza de que jamais negociará os interesses do povo trabalhador. As reformas estruturais, lutas históricas do Trabalhismo brasileiro têm nele o seu modelo inspirador. Com ele a Petrobrás e a Amazônia não serão entregues, com ele o povo brasileiro resgatará a sua soberania e a sua cidadania.

 

Paulo Markun e Duda Hamilton

Aprendemos muito sobre a personalidade de Leonel de Moura Brizola ao escrevermos o livro 1961 Que as Armas não Falem, lançado em novembro de 2001 pela editora Senac-São Paulo e com o patrocínio do Banrisul. Decidido, com a Constituicao na mão e uma metralhadora INA a tiracolo, Brizola defendeu a posse do Vice-Presidente João Goulart, Jango. O mais impressionante na trajetória desse homem de origem simples, que chega aos 80 anos, é a coerência que sempre norteou sua vida política. Não podemos analisar a política brasileira dos últimos 60 anos sem passar por Brizola.

Paulo Markun/Duda Hamilton,

autores do livro "1961 - Que as Armas não Falem"

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Jorge Otero

Não se pode pensar na história contemporânea da América Latina sem atentar para o papel de Leonel Brizola. Imaginável e lamentável é a chocante e dissimulada indiferença que os regimes políticos da região demonstram com relação a temas cruciais como os da educação popular, da justiça social e do equilíbrio econômico. Tentaram em vão confundi-lo como um populista e Brizola emergiu como o único líder que se opôs às políticas econômicas demagógicas implementadas pelas ditaduras militares e civis que nos castigam desde a década de 60.

Quem rejeitaria, com altos custos em termos eleitorais, os planos eleitoreiros como, entre outros o Austral, o Primavera, os Cruzados e o da Conversibilidade, de cuja prolongada implosão estamos sofrendo seu ruído tardio, dramático e ensurdecedor?

Quem tomaria a frente do único episódio épico bem sucedido de defesa da democracia, opondo-se a forças claramente díspares do totalitarismo militar, com o fim de assegurar a continuidade institucional e respeitar a vontade popular, expressada em eloqüentes e sinceras eleições?

Quem realizaria o mais importante plano de educação escolar no mais breve espaço de tempo possível? Quem, adiantando-se no tempo, seria capaz de estender as vantagens da propriedade a setores relegados pela sociedade em plano logo reconhecido como modelo pela própria ONU?

Que político contemporâneo tem sido capaz de ser generoso com as vitórias e duro com as derrotas?

Quem se atreveria a denunciar de maneira tão firme e vigorosa o pacto neocolonial  que implica o modelo econômico e social imposto a povos que buscam a realização de sua dignidade?

Quem senão um autêntico líder de profundas convicções sociais é capaz de lutar contra velhas e perniciosas práticas eleitorais disfarçadas de modernidade pela nova tecnologia da fraude?

Quem, depois de entregar à solidariedade social os 80 anos que são sua vida continua lutando - com a mesma devoção e a mesma capacidade de entrega - pela causa do povo?

A Leonel Brizola, pois, em seu aniversário, nosso humilde reconhecimento a sua vasta e exemplar generosidade vital e a manifestação de nossa sincera admiração.

Jorge Otero é jornalista uruguaio, ex-editor de "El Día" e autor do livro "João Goulart - Lembranças do Exílio".